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Comunidade surda

Comunicação entre surdos e ouvintes: principais desafios

Por ICOM | Publicado em 28 de abril de 2021 | Última atualização em 17 de setembro de 2025

Blog > Comunidade surda
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Início do conteúdo
https://www.youtube.com/watch?v=U5ysif8xXoI&ab_channel=IcomLibras

Como seres sociais, a comunicação é instrumento fundamental na integração, participação e socialização das pessoas. Por meio dela, exprimimos nossos desejos, anseios, dificuldades e opiniões. Dada sua importância, a comunicação é um direito previsto na Declaração Universal de Direitos Humanos. O documento estabelece que “todo ser humano tem direito à (…) transmitir informações e ideias quaisquer meios e independentemente de fronteiras”. Desse modo, a comunicação entre surdos e ouvintes é um direito.

A comunidade surda no Brasil (com níveis diferentes de surdez) equivale a mais de dez milhões de pessoas, segundo o IBGE, dentre os quais 2,7 milhões são totalmente surdos. E, de acordo com a OMS, estima-se que até 2050, existam 900 milhões de pessoas surdas no mundo.

Essas pessoas enfrentam ao longo da vida barreiras que impedem seu pleno desenvolvimento social, muito em função da grande dificuldade de comunicação que existe com as pessoas ao redor.

A comunicação entre surdos e ouvintes, nesse sentido, torna-se um dos principais  na socialização dos surdos que, por consequência, implica em falta de acesso à educação de qualidade, consumo de produtos e serviços, bem como dificuldade de inserção no mercado de trabalho.

Apesar de haver políticas públicas e legislação em vigor que determina diretrizes para inclusão de pessoas surdas (e pessoas com deficiência no geral) no mercado de trabalho e em outros ambientes, a realidade ainda se mostra aquém do que pede a lei.

Por isso, neste artigo, vamos dimensionar os principais desafios na comunicação entre surdos e ouvintes no mercado de trabalho para, em seguida, listar soluções para reverter esse cenário excludente na organização, dando subsídios para a empresa tornar-se efetivamente inclusiva.

Desafios na comunicação entre surdos e ouvintes

Por mais que correspondam a 5% da população e estejam presentes em diferentes classes sociais e idades, a invisibilidade da população surda motiva a dificuldade na comunicação que esse grupo de pessoas encontra em várias esferas da vida.

Isto porque sem visibilidade não há esforço das partes envolvidas (gestores, empregadores, diretores, colegas de trabalho) em tornar os ambientes que gerenciam/trabalham amigáveis e acessíveis para pessoas surdas.

Falta de empatia e engajamento dos ouvintes

Conforme pesquisa do Movimento Web para Todos, algumas empresas não vêem necessidade em transformar seus canais de comunicação, por exemplo, em meios mais inclusivos.

Se não há engajamento dos gestores e dos funcionários ouvintes em diminuir as barreiras da comunicação, a pessoa surda será naturalmente excluída das relações, das reuniões, das capacitações, entre outras atividades que aconteçam dentro da empresa.

Desconhecimento de Libras pelos ouvintes

Outro ponto que limita a comunicação entre surdos e ouvintes é a pouca popularidade da Língua Brasileira de Sinais (Libras), embora alguns surdos (os oralizados) consigam fazer leitura labial, a maior parte deles comunica-se pela língua dos sinais, porém quando o interlocutor não domina o código, a comunicação não acontece.

Se para uma pessoa surda oralizada existe dificuldade em se comunicar, imagine para uma pessoa completamente surda e não oralizada? A maioria só tem a Língua de Sinais como forma de comunicação.

Esse fator deixa o funcionário surdo sem autonomia para executar suas atividades e isso pode resultar em atitudes capacitistas por parte dos colegas de trabalho, gerando constrangimento.

Ausência de tecnologia assistiva

A falta de tecnologia assistiva também é um grande impasse nesta comunicação, uma vez que não havendo o domínio de libras pelos interlocutores, faz-se necessário o uso de mecanismos que possam propiciar a comunicação. No entanto, a ausência delas vai ampliar ainda mais a exclusão do funcionário surdo na empresa.

Todos esses fatores dificultam a construção de uma relação interpessoal da pessoa surda com os colegas de trabalho, sem conseguir estabelecer vínculos ou laços, o que torna o trabalho solitário.

Dicas para melhorar a comunicação entre surdos e ouvintes

A falta de conhecimento é um imperativo na relação entre surdos e ouvintes, o que resulta em preconceito e atitudes capacitistas, por parte do ouvinte. Assim, a principal dica é despir-se dos preconceitos e buscar informar-se sobre a pessoa com deficiência, tornando a jornada dela na empresa mais agradável, acolhedora e inclusiva.

Conheça a pessoa surda

É preciso entender, por exemplo, que existem graus diferentes de surdez, de pessoas que ouvem parcialmente a pessoas que são completamente surdas. Há também pessoas que ficaram surdas em algum estágio da vida, por doença ou acidentes – estas, então, podem ter sido oralizadas -, e pessoas que são surdas de nascença, nunca ouviram um som na vida, sendo não oralizadas.

Dito isso, seja empático e conheça o profissional que a empresa está contratando. A depender do grau de surdez, adapte o ambiente para que ele ou ela se sinta integrado/a à organização e não apenas um dado a constar nos relatórios de obrigatoriedade da cota da LBI.

Adapte os mecanismos de comunicação vigentes

Nas reuniões de equipe, utilize apresentações mais visuais e tenha a presença de um intérprete de Libras que pode ser um profissional contratado ou uma Plataforma ou Serviços online para Libras.

Instale sinais luminosos que exerçam a função de campainhas ou sirenes, bem como para toque de telefone ou qualquer outro recurso que seja sonoro na empresa. Legende também os vídeos instrucionais ou de treinamento.

A importância das Tecnologias Assistivas na comunicação com surdos

Previstas na Lei Brasileira de Inclusão, tais tecnologias consistem em recursos e serviços que proporcionem ou mesmo ampliem as habilidades das pessoas com deficiência, promovendo autonomia e independência desse funcionário na empresa.

Dentre os recursos considerados como tecnologia assistiva encontram-se computadores adaptados, telefones com teclado, sistemas com alerta  táctil-visual, softwares de leitura e transcrição de voz para pessoas com deficiência auditiva oralizadas e ainda softwares de interpretação de libras em tempo real. Já existem no mercado soluções práticas e bastante funcionais baseadas em IA e também com versão em aplicativo, o que dinamiza o acesso e uso do recurso em qualquer ambiente e situação.

Já os serviços compreendidos como tecnologia assistiva são os que a empresa pode oferecer ao funcionário surdo para auxiliar na sua jornada dentro da empresa. Podem ser, então, o suporte multidisciplinar de psicólogos, terapeutas, fonoaudiólogos, dentre outros.

Ainda está com dúvidas sobre como tornar a sua empresa mais acessível para profissionais surdos? Baixe o nosso guia gratuito para ter uma comunicação mais acessível em sua empresa. É só clicar no banner abaixo! 

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