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No Brasil, milhões de pessoas surdas utilizam a Língua Brasileira de Sinais como principal meio de expressão, o que torna essencial compreender não apenas o que é a Libras, mas também como ela surgiu e qual é o seu papel na inclusão social. Afinal, a comunicação é a base de qualquer sociedade, mas nem todos têm acesso a ela da mesma forma.

Mais do que um sistema de sinais, a Libras é uma língua estruturada, com história e forte ligação com a identidade da comunidade surda. Sua construção ao longo do tempo, influenciada por outras línguas de sinais e por movimentos educacionais, revela um processo coletivo que vai além da comunicação, envolvendo cultura, direitos e cidadania.

Ao longo deste conteúdo, vamos explicar como a Libras se desenvolveu no Brasil, quais são seus principais fundamentos e por que ela é indispensável para promover acessibilidade em diferentes contextos, incluindo educação, mercado de trabalho e atendimento ao cliente.

O que é a Libras?

A Libras ou Língua Brasileira de Sinais, é uma língua utilizada pela comunidade surda no Brasil. Diferente do que muitos pensam, não se trata de uma simples tradução do português para gestos, mas sim de um sistema linguístico completo, com estrutura gramatical própria, regras sintáticas e semânticas bem definidas.

Reconhecida pela Lei n° 10.436 de 24 de abril de 2022, a Língua Brasileira de Sinais é um meio legal de comunicação e expressão. Com gramática própria, e capacidade de expressar ideias abstratas, emoções e conceitos complexos, a Libras demanda sinais feitos com as mãos, expressões faciais e movimentos corporais para contextualização da mensagem.

Cada sinal possui parâmetros específicos, como configuração das mãos, ponto de articulação, movimento, orientação e expressão facial. A combinação desses fatores forma palavras e frases completas, permitindo uma comunicação clara e eficiente dentro da comunidade surda.

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Como surgiu a Libras e por que ela é importante?

A história da Libras está diretamente ligada ao desenvolvimento das línguas de sinais no mundo e ao processo de inclusão da comunidade surda no Brasil. Sua origem não aconteceu de forma isolada, mas sim a partir da influência de outras línguas de sinais e de movimentos educacionais voltados para pessoas surdas.

No caso da Libras, sua base começou a se estruturar no século XIX, com a chegada do educador francês Ernest Huet ao Brasil a convite de D. Pedro II para fundar a primeira escola para surdos do país, chamada na época de Imperial Instituto de Surdos Mudos que atualmente é conhecido como Instituto Nacional de Educação de Surdos, o famoso INES.

Huet trouxe consigo a Língua de Sinais Francesa, que influenciou diretamente a formação inicial da Libras. A partir desse contato, a comunidade surda brasileira começou a adaptar e desenvolver seus próprios sinais, dando origem a uma língua única e culturalmente situada no Brasil.

Apesar de ser pioneiro na educação de surdos no Brasil, Ernest não teve muitos alunos no começo do Instituto. Durante os anos de 1857 a 1861 ele foi diretor da instituição, que recebia apenas alunos do sexo masculino e no regime de internato.

O sistema de ensino implementado por Huet foi predominante no Brasil até o começo do século XX, todavia, em 1880 houve o Congresso de Milão, na Itália que definiu que todos os surdos deveriam ser educados por meio da oralização, ou seja, pela fala.

Essa mudança vigorou até a década de 1970, quando no Brasil foi implementada a filosofia da comunicação total. Ou seja, uma nova metodologia educacional que não aborda apenas a oralização para o desenvolvimento educacional do aluno surdo. 

A partir dessa mudança começou o desenvolvimento do bilinguismo no país, movimento que incentiva a educação de surdos usando Libras como primeira língua e português como segunda que é adotado até os dias atuais.

Quem foi o criador das Libras?

A Libras não foi criada por uma única pessoa, mas sim construída coletivamente ao longo do tempo pela comunidade surda. A língua surgiu a partir da interação social entre indivíduos que compartilhavam a necessidade de se comunicar, evoluindo gradualmente até se tornar um sistema linguístico completo.

Dentro desse contexto, o educador francês Ernest Huet teve um papel fundamental na introdução das bases da língua de sinais no Brasil. Huet era surdo e veio da França no século XIX, trazendo consigo conhecimentos da Língua de Sinais Francesa, que já era utilizada em contextos educacionais na Europa.

Sua principal contribuição ocorreu com a participação na criação do Imperial Instituto de Surdos-Mudos, atual Instituto Nacional de Educação de Surdos. Nesse ambiente, a língua de sinais começou a ser difundida entre estudantes surdos no Brasil, servindo como ponto de partida para o desenvolvimento da Libras.

A partir desse contato inicial, a comunidade surda brasileira passou a adaptar os sinais à sua realidade cultural e linguística. Esse processo contínuo de transformação e apropriação coletiva foi o que, de fato, deu origem à Libras como conhecemos hoje, reforçando que sua construção é resultado da participação ativa de toda uma comunidade ao longo da história.

Quais são os 5 pilares da Libras?

Os pilares da Libras representam os elementos estruturais que garantem o funcionamento dessa língua visual-espacial. Eles são as configurações de mãos, ponto de articulação, movimento, orientação das mãos e expressões faciais e corporais, compreenda:

Configuração de mãos

A configuração de mãos refere-se ao formato que as mãos assumem ao realizar um sinal. Cada formato pode alterar completamente o significado de uma palavra. Por exemplo, um mesmo movimento, quando executado com uma configuração diferente, pode representar outro conceito. Esse pilar é essencial para evitar ambiguidades e garantir precisão ao transmitir a mensagem.

Ponto de articulação

O ponto de articulação indica o local do corpo ou do espaço onde o sinal é realizado. Pode ser próximo ao rosto, ao tronco ou em uma área neutra à frente do corpo. A mudança desse ponto também pode modificar o significado do sinal, o que torna esse elemento indispensável para a correta interpretação da mensagem.

Movimento

O movimento está relacionado à forma como as mãos se deslocam durante a execução do sinal. Pode envolver direção, velocidade, repetição ou intensidade. Esse pilar contribui para diferenciar palavras e também para expressar nuances, como tempo e aspecto da ação, dentro da estrutura da Libras.

Orientação das mãos

A orientação diz respeito à direção para a qual as palmas das mãos estão voltadas durante o sinal. Alterar essa orientação pode gerar mudanças de significado, mesmo que os outros parâmetros permaneçam iguais. Por isso, é um componente crucial na formação correta dos sinais.

Expressões faciais e corporais

As expressões faciais e corporais funcionam como elementos gramaticais na Libras. Elas indicam emoções, intenções e até estruturas sintáticas, como perguntas ou negações. Diferente do que pode parecer, não são apenas complementos, mas parte essencial da língua, contribuindo diretamente para a clareza e fluidez da comunicação.

Qual a relação entre a Língua de Sinais Francesa e a Libras?

A relação entre essas duas línguas é histórica e linguística. A Língua de Sinais Francesa serviu como base inicial para a construção da Libras, principalmente no contexto educacional. No entanto, é importante destacar que a Libras evoluiu de forma independente ao longo do tempo.

Isso significa que, apesar da influência inicial, a Libras desenvolveu vocabulário próprio, estrutura gramatical específica e elementos culturais brasileiros. Hoje, ela é considerada uma língua distinta, com identidade própria dentro do campo da linguística das línguas de sinais.

Por isso, um surdo brasileiro que viaja para a França não conseguirá se comunicar com eficiência usando Libras. Tal qual qualquer brasileiro que viaja para a Argentina não consegue se comunicar claramente falando português. Muito embora as línguas tenham similaridade, a comunicação depende da adequação ao local para que todos compreendam a mensagem a ser transmitida.

Quando a Libras foi oficialmente reconhecida no Brasil?

A oficialização da Libras ocorreu em 2002, com a promulgação da Lei nº 10.436. Esse marco legal reconheceu a Libras como meio legal de comunicação e expressão no Brasil, garantindo direitos linguísticos à comunidade surda.

Posteriormente, o Decreto nº 5.626 reforçou essa conquista ao estabelecer diretrizes para o ensino da Libras, a formação de intérpretes e a inclusão em serviços públicos. Esse reconhecimento foi fundamental para ampliar o acesso à educação, saúde e atendimento em diferentes setores.

Contribuindo para que as pessoas surdas possam vivenciar uma rotina cada vez mais acessível e tenham aparato legal em caso de discriminação. Afinal, ao se depararem com a falta de acessibilidade é possível buscar os órgãos oficiais e fazer denúncias, gerando penalidades para empresas que não são inclusivas.

Como a acessibilidade em Libras impacta o atendimento ao cliente?

No universo corporativo, a comunicação eficiente é um dos principais pilares da experiência do cliente. Quando empresas não consideram a acessibilidade em Libras, acabam criando barreiras invisíveis que dificultam ou até impedem o relacionamento com pessoas surdas.

Isso impacta diretamente a jornada do cliente, desde o primeiro contato até o pós-venda, comprometendo a clareza das informações e a resolução de demandas.

Ao incorporar a Libras no atendimento, as empresas reduzem essas barreiras e tornam a comunicação mais fluida e acessível. Esse movimento não apenas facilita o entendimento, mas também gera uma experiência mais inclusiva e respeitosa.

Como consequência, indicadores como satisfação do cliente tendem a melhorar, já que o público surdo passa a ser atendido com autonomia e eficiência, sem depender de intermediários ou adaptações improvisadas.

Esse avanço também influencia métricas estratégicas, como retenção e fidelização. Clientes que se sentem compreendidos e bem atendidos têm maior probabilidade de manter relacionamento com a marca e recomendá-la para outras pessoas. Nesse sentido, a acessibilidade em Libras deixa de ser apenas uma iniciativa pontual e passa a atuar como um diferencial competitivo, fortalecendo a reputação da empresa no mercado.

Além disso, o atendimento inclusivo se conecta diretamente com práticas modernas de experiência do cliente, que valorizam personalização, empatia e diversidade. Empresas que investem em soluções acessíveis, incluindo recursos em Libras mediados por tecnologia ou profissionais qualificados, conseguem ampliar seu alcance e atender a um público historicamente negligenciado.

Esse posicionamento estratégico se alinha a propostas de valor de organizações que enxergam a acessibilidade como parte integrante da experiência, e não como um recurso adicional.

Ao adotar a Libras de forma consistente, a empresa demonstra compromisso real com inclusão, ao mesmo tempo em que otimiza seus processos de atendimento e se diferencia de forma sustentável no mercado.

Conclusão

Compreender como surgiu a Libras e reconhecer sua importância vai muito além de um resgate histórico. Trata-se de entender o papel de uma língua que garante acesso, autonomia e participação social para milhões de pessoas no Brasil. Ao longo do tempo, a Libras se consolidou como um sistema linguístico completo, construído coletivamente e profundamente ligado à identidade da comunidade surda.

No contexto atual, especialmente no ambiente corporativo, integrar a Libras ao atendimento e à experiência do cliente deixou de ser um diferencial opcional e passou a ser uma necessidade estratégica. Empresas que entendem esse movimento conseguem não apenas reduzir barreiras, mas também gerar valor, fortalecer relacionamentos e ampliar seu alcance de forma mais inclusiva.

Assim, investir em acessibilidade em Libras é, ao mesmo tempo, uma ação de responsabilidade social e uma decisão inteligente de negócio, capaz de transformar a forma como as marcas se conectam com as pessoas. Conte com a plataforma ICOM e garanta atendimento acessível em sua empresa para a comunidade surda.

Perguntas frequentes sobre como surgiu a Libras

Quem criou a língua de sinais?

Nenhuma língua de sinais foi criada por uma única pessoa. Elas surgem de forma natural dentro das comunidades surdas ao longo do tempo. No Brasil, a Libras foi construída coletivamente, com influência inicial do trabalho de Ernest Huet, mas desenvolvida pela própria comunidade surda brasileira.

Qual a importância da Libras para a inclusão social?

A Libras é essencial porque garante comunicação acessível para pessoas surdas. Isso impacta diretamente o acesso à educação, saúde, trabalho e serviços, promovendo autonomia, cidadania e participação ativa na sociedade.

Por que a Libras é diferente de outras línguas de sinais?

Cada país possui sua própria língua de sinais, com gramática, vocabulário e estrutura próprios. A Libras se desenvolveu no Brasil, com influências locais e culturais, o que a torna diferente de outras línguas, como a Língua de Sinais Francesa ou a língua de sinais americana.

A Libras é usada apenas no Brasil?

Sim. A Libras é a língua de sinais oficial da comunidade surda brasileira. Outros países utilizam suas próprias línguas de sinais, que não são universalmente compreendidas entre si.

Dom Pedro 2 tinha Neto surdo?

Não há registros históricos confiáveis de que Dom Pedro II tivesse um neto surdo. No entanto, ele foi importante no apoio à educação de pessoas surdas no Brasil, incluindo a criação do atual Instituto Nacional de Educação de Surdos.

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Especialista em Acessibilidade, ICOM

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