Com a chegada do Abril Verde e Dia da Segurança é natural que as empresas promovam treinamento de segurança para suas equipes e reforcem conceitos já abordados. Contudo, um tema ainda pouco discutido é como adaptar as normas reguladoras (NRs) para surdos?
Toda empresa no território nacional precisa fornecer equipamentos de proteção individual e treinamento sobre o uso, conservação e riscos para seus colaboradores. Equipes que contam com profissionais surdos precisam adaptar seus treinamentos para transmitir os conhecimentos sobre as normas reguladoras.
E é justamente por isso que trouxemos orientações práticas sobre como as NRs impactam os treinamentos de segurança, como tornar as normas acessíveis e minimizar os riscos em sua empresa.
O que é treinamento de segurança?
Treinamento de segurança é um conjunto de orientações práticas, geralmente transmitidas pelo técnico em segurança do trabalho para preparar a equipe. O objetivo é que cada colaborador seja capaz de exercer suas atividades de forma segura, reduzindo riscos de acidentes e protegendo a saúde no ambiente de trabalho.
Dada a relevância, o treinamento é obrigatório, servindo como uma ferramenta de prevenção de acidentes. Uma vez que, cada profissional passa a entender como prevenir riscos, como usar corretamente os equipamentos de proteção e como agir em situações de emergência.
Um treinamento eficaz garante que as normas regulamentadoras sejam realmente compreendidas e aplicadas no dia a dia da empresa. O que é fundamental para cumprir a legislação trabalhista e evitar acidentes.
Quando os colaboradores recebem orientações adequadas, a empresa reduz afastamentos, melhora a produtividade e fortalece a cultura de prevenção. Por isso, o treinamento não deve ser visto apenas como obrigação, mas como parte essencial da proteção dos trabalhadores.
Segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), desde 2021 o número de acidentes de trabalho no Brasil cresce a cada ano. Entre 2023 e 2024 houve um crescimento de 11,16% no número de acidentes de trabalho registrados.
Como as NRs impactam o treinamento de segurança nas empresas?
As normas regulamentadoras estabelecem quais orientações devem ser transmitidas aos trabalhadores, com que frequência os treinamentos precisam ocorrer e quais riscos precisam ser prevenidos em cada atividade.
Por isso, são guias importantes para que toda empresa seja capaz de resguardar seus colaboradores. Esse tema ganha ainda mais visibilidade durante o Abril Verde, mês dedicado à conscientização sobre saúde e segurança no trabalho. Além da comemoração do Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho.
Nesse período, empresas, profissionais e instituições reforçam a importância de ambientes seguros, da prevenção de riscos e do cumprimento das NRs.
No entanto, a reflexão não deve ficar restrita a uma data simbólica: o treinamento de segurança precisa fazer parte da rotina diária das organizações, orientando comportamentos, fortalecendo a cultura de prevenção e protegendo todos os colaboradores continuamente.
Muito embora as NRs tenham poder regulamentador, o que faz com que sejam levadas à sério, ainda existe um desafio pouco discutido: a comunicação com trabalhadores surdos.
Quando o conteúdo das NRs e dos treinamentos de segurança não é transmitido de forma acessível, surge um risco real. Parte da equipe pode não compreender procedimentos essenciais, como o uso correto de equipamentos de proteção ou o que fazer em situações de emergência.
Aspecto que compromete não apenas a inclusão, mas também a eficácia das medidas de segurança. Afinal, se um colega se envolve em um acidente, é comum que os demais ao seu redor também sejam atingidos.
Conte com a plataforma ICOM para ter intérpretes de Libras, a Língua Brasileira de Sinais atuando em seu treinamento de segurança e garanta que ele seja acessível para os colaboradores surdos.
O que são NRs acessíveis?
NRs acessíveis são aquelas apresentadas de forma clara, compreensível e inclusiva, garantindo que todos os colaboradores entendam, de fato, as orientações de segurança e consigam aplicá-las.
Mais do que cumprir uma exigência legal, tornar as NRs acessíveis significa transformar conteúdos técnicos em informações práticas, visuais e adaptadas às diferentes formas de comunicação presentes no ambiente de trabalho.
Na prática, isso envolve utilizar recursos como linguagem simples, materiais visuais, vídeos explicativos, tradução em Libras e metodologias de ensino que facilitem a compreensão.
O objetivo é assegurar que cada trabalhador saiba identificar riscos, usar corretamente os equipamentos de proteção (EPIs) e agir com segurança em situações de emergência, independentemente de suas condições de comunicação.
Tornar as NRs acessíveis fortalece a cultura de prevenção, reduz acidentes e promove um ambiente de trabalho verdadeiramente inclusivo, onde todos tenham acesso igual à informação que protege suas vidas.
Por que as NRs importam no treinamento de segurança?
Não há treinamento de segurança sem real compreensão das NRs cabíveis para aquele ambiente de trabalho.
Uma vez que, as normas são a base legal e prática do treinamento. A partir do entendimento das NRs que se aplicam ao contexto é possível orientar procedimentos, prevenir acidentes e reduzir os riscos trabalhistas.
Um treinamento de segurança em indústria automotiva é diferente do treinamento em indústria alimentícia, mesmo que ambas sejam indústrias. A diferença se dá por causa do tipo de maquinário e tipo de riscos aos quais os profissionais estão expostos.
Portanto, é preciso analisar o contexto laboral, entender quais NRs se aplicam ao cotidiano da empresa e, com base nisso, definir o treinamento que será oferecido aos colaboradores.
Como funciona o treinamento de segurança para colaboradores surdos?
Quando a equipe precisa promover treinamento de segurança para colaboradores surdos é necessário adaptar o conteúdo e a forma de comunicação. Para tal, é relevante incorporar a interpretação em Libras, materiais visuais objetivos, demonstrações práticas e metodologias interativas.
O objetivo é que toda a explicação garanta que o profissional entenda claramente o que fazer, como agir e quais cuidados adotar em cada situação de risco. Justamente para que todo o aprendizado seja fácil de implementar em sua jornada de trabalho.
Isso não significa dizer que o treinamento do colaborador surdo precisa ser separado dos demais colegas. Na prática, é indicado estruturar o treinamento com o objetivo de que todos possam participar, aprender e colaborar.
Com a interpretação em Libras e adaptação prévia do conteúdo e modelo usado no treinamento, é possível garantir a facilitação do entendimento. O que torna o processo de aprendizado das normas e medidas de prevenção muito mais prático, agradável e simples.
Quando todos realmente dominam os conhecimentos que foram transmitidos de maneira eficaz, a empresa se torna um ambiente seguro e livre de acidentes frequentes.
Quais riscos existem quando o treinamento de segurança não é acessível?
Não promover um treinamento de segurança acessível coloca o colaborador e a empresa em risco de acidentes. Além disso, a empresa está cometendo uma irregularidade, entenda mais sobre os riscos a seguir:
1. Risco aumentado de acidente de trabalho
Quando as medidas de segurança não são comunicadas de forma acessível, toda a equipe fica exposta a riscos, pois falhas no entendimento podem comprometer procedimentos essenciais. Afinal, uma pessoa pode cometer um erro que causa um acidente grave e envolve seus colegas diretamente.
Por isso mesmo, um colaborador que não foi treinado corretamente expõe todos os colegas a risco de acidentes, aumentando as chances de um problema grave ocorrer durante o expediente.
2. Aumento no número de afastamentos
Acidentes de trabalho geram afastamentos que impactam a produtividade da equipe. O ideal é que todos os colaboradores saibam como lidar com os riscos no ambiente de trabalho para que possam prevenir acidentes.
Afastamentos longos impactam não só a produtividade como também o caixa da empresa. E se o acidente for fatal, a empresa pode sofrer penalidades legais. Portanto, o ideal é sempre adotar medidas preventivas que resguardem as vidas dos colaboradores.
3. Risco legal
Toda empresa é obrigada por Lei a treinar sua equipe sobre os riscos do trabalho e fornecer EPIs que devem ser utilizados corretamente. Se há um colaborador surdo e o treinamento não foi oferecido de forma acessível, a empresa está cometendo uma ilegalidade, mesmo que não seja proposital.
Portanto, em caso de acidente ou até mesmo uma denúncia ao Ministério do Trabalho a empresa será fiscalizada e sofrerá sanções. Dependendo da gravidade da situação a organização será multada e até mesmo proibida de funcionar normalmente.
Como a CIPA pode atuar de forma mais inclusiva no treinamento de segurança?
Quais são os formatos mais eficazes de treinamento de segurança acessível?
Os modelos tradicionais, como palestras expositivas longas, vídeos sem tradução em Libras e DDS (Diálogo Diário de Segurança) conduzidos apenas de forma oral, apresentam limitações importantes.
Embora sejam amplamente utilizados, esses formatos dependem quase exclusivamente da escuta e da linguagem verbal, o que reduz significativamente a eficácia para trabalhadores surdos.
Além disso, costumam ter baixa retenção de informação, pouca interação e dificuldade de padronização entre diferentes equipes e unidades operacionais. Já os formatos acessíveis contam com intérprete de Libras remoto ou presencial, permitindo a comunicação imediata durante todo o treinamento.
Também é possível adotar conteúdos audiovisuais em Libras com explicações visuais objetivas sobre os riscos, procedimentos e uso de EPIs, aumentando a retenção e a autonomia do colaborador.
É possível recorrer aos recursos visuais padronizados, como infográficos, sinalizações claras e demonstrações práticas para facilitar o entendimento rápido do conteúdo transmitido. Como é o caso de ensinar a colocar um EPI corretamente, por exemplo.
Os formatos acessíveis beneficiam não só os colaboradores surdos, como também os ouvintes. Uma vez que, tornam a exposição dos conhecimentos mais dinâmica e rica, proporcionando um aprendizado mais prático.
Como a tecnologia pode apoiar o treinamento de segurança no Abril Verde?
O treinamento de segurança ganha ainda mais relevância durante o Abril Verde, período que é dedicado à conscientização sobre saúde e prevenção de acidentes no trabalho.
Nesse contexto, a tecnologia surge como uma aliada importante para ampliar o alcance das ações educativas. Com a tecnologia é possível tornar a comunicação mais acessível e garantir que as orientações de segurança sejam compreendidas por todos os colaboradores.
Soluções digitais permitem transformar conteúdos complexos das NRs em materiais visuais, interativos e padronizados, facilitando o aprendizado no dia a dia operacional.
Por meio de vídeos acessíveis, plataformas de treinamento online, recursos de comunicação em tempo real e integração com intérpretes de Libras são exemplos de ferramentas que ajudam a eliminar barreiras de entendimento, especialmente para trabalhadores surdos.
Além da acessibilidade, a tecnologia contribui para a padronização do treinamento de segurança. Isso significa que diferentes unidades, turnos ou equipes recebem a mesma orientação, com qualidade consistente e possibilidade de atualização rápida sempre que houver mudanças nas normas ou nos processos internos.
Como resultado, a empresa reduz falhas de comunicação, fortalece a cultura de prevenção e aumenta a efetividade das ações de segurança em todos os horários e turnos de trabalho.
Mais do que campanhas pontuais, as organizações podem usar a tecnologia para estruturar programas contínuos de conscientização, mensurar resultados e garantir que a segurança esteja presente na rotina e não apenas em datas simbólicas.
Como o ICOM ajuda empresas a tornar o treinamento de segurança acessível?
Com o auxílio da plataforma ICOM é possível garantir treinamentos que são interpretados em Libras. Aspecto que é fundamental para que seus colaboradores surdos compreendam todos os detalhes e instruções que precisam dominar para atuarem de forma eficaz, evitando acidentes de trabalho.
A comunicação com o intérprete se dá em tempo real durante o treinamento. O que permite o entendimento completo de todas as instruções e viabiliza que dúvidas sejam esclarecidas.
Por meio da interpretação da mensagem ao vivo é possível evitar falhas na comunicação, garantindo que o colaborador compreenda 100% do conhecimento que está sendo transmitido. O que não ocorre com o uso de avatares 3D ou outros recursos que tendem a ser limitados.
Um intérprete qualificado consegue transmitir a mensagem com clareza, possibilitando que o treinamento seja verdadeiramente inclusivo. Além disso, a plataforma ICOM também disponibiliza intérpretes em tempo real para reuniões e eventos na empresa.
De modo que, o colaborador surdo não seja excluído de nenhum momento durante interações importantes na organização. Conte com o apoio tecnológico da plataforma ICOM e tenha uma equipe bem treinada e um ambiente verdadeiramente inclusivo.
Conclusão
Muito mais que um momento de reflexão, o Abril Verde é uma comemoração que convida empresas a tomarem medidas para que sejam mais seguras. E o treinamento de segurança só é eficaz quando todos compreendem as informações.
A interpretação em Libras é um direito do colaborador e uma condição básica para que o ambiente de trabalho seja realmente seguro e equitativo para todos.
Conte com a plataforma ICOM para garantir condições equitativas de treinamento, viabilizando que seus colaboradores surdos entendam as medidas de segurança que precisam aprender.
Especialista em Acessibilidade, ICOM