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Os regionalismos em Libras (Língua Brasileira de Sinais) são reflexo de uma língua viva que sofre variações para refletir a cultura e hábitos de seus falantes. Um regionalismo de uma língua é uma variação que ocorre para refletir costumes, tradições e regiões geográficas de seus usuários.

E como o Brasil é um país de grandes dimensões, é natural que ocorram diferenças na Língua Brasileira de Sinais usada no Rio de Janeiro versus aquela que é usada no Tocantins, por exemplo.

A comunidade surda pode criar sinais para identificar objetos, lugares e conceitos e é justamente assim que se criam os regionalismos que iremos abordar a seguir, para esclarecer diferenças que tornam a língua única em cada Estado brasileiro.

O que são regionalismos em Libras?

Assim como ocorre no português e em qualquer outra língua, o regionalismo consiste em uma adaptação para denominar objetos, conceitos ou até mesmo marcar períodos históricos.

No português o “você” já foi escrito como vosmecê, ou seja, uma mudança da língua ocasionada pela passagem do tempo. O mesmo ocorre nos dias atuais em que mandioca, aipim e macaxeira são nomes diferentes usados para denominar o mesmo alimento.

Em Libras não é diferente, o regionalismo evidencia que a língua é viva e está em constante evolução com a criação de sinais pela comunidade surda. Ao criar regionalismos o intuito não é excluir aqueles que não dominam a língua como é utilizada localmente, trata-se de uma adaptação para refletir conceitos regionais.

Por isso, uma pessoa surda que se muda do Rio de Janeiro para o Paraná, por exemplo, poderá ensinar aos locais os regionalismos cariocas e aprender os termos paranaenses. O que torna o intercâmbio cultural ainda mais rico.

Um exemplo claro de regionalismo em Libras é o termo história que no Nordeste do país pode ser retratado por dois sinais diferentes, sendo que um deles também é usado para a palavra lembrar. Para entender se o interlocutor está lembrando ou contando uma história é preciso analisar as expressões faciais que determinam a diferença.

Ter um intérprete de Libras que entende os regionalismos é fundamental para uma comunicação clara, eficiente e livre de ruídos que comprometam o entendimento da mensagem. Conte com a plataforma ICOM para ter intérpretes profissionais prestando o melhor atendimento aos seus clientes.

Como a variação linguística acontece dentro da Libras?

A variação linguística dentro da Libras ocorre por diferentes fatores, como questões históricas, regionais e variações sociais. No contexto histórico, é comum que novos termos sejam inseridos na língua. Por exemplo, o telefone celular não era um termo utilizado em 1972 em Libras por ser uma tecnologia que só surgiu em 1973 e se popularizou muitos anos depois.

Além disso, também ocorrem variações em função das mudanças de termos, símbolos compostos podem sofrer contrações para que se tornem um símbolo único, visando tornar a comunicação mais simples e rápida.

Assim como no português as palavras com ph passaram a ser escritas com f, como pharmácia que passou a ser farmácia, em Libras ocorreu o mesmo efeito. Sinais em Libras que se referem a azul, dia, família e tecnologia revelam as variações linguísticas dentro da língua que foram ocasionadas por mudanças históricas.

Também existem as variações sociais, que ocorrem por influência da idade e escolaridade dos falantes da língua. No Brasil uma comunidade do interior do Piauí criou a Cena, uma língua de sinais que só é utilizada pela comunidade local.

A relevância da Cena é significativa, gerando o interesse de pesquisadores brasileiros e do exterior de produzir imagens para documentar e preservar a língua. A Cena é uma variação social e ao mesmo tempo uma grande conquista para todos os deficientes auditivos do país.

Existe sotaque em Libras?

Sim, existe sotaque em Libras por causa das variações regionais. Por ser uma língua visual-espacial, é considerado que os sotaques são visuais. Ou seja, a comunidade percebe que aquela pessoa não é da região pela forma como ela sinaliza as palavras durante a comunicação.

No Rio de Janeiro, por exemplo, a palavra sala é sinalizada soletrando cada letra, enquanto em outras cidades o sinal é diferente. Um carioca que viaja para outra cidade e sinaliza sala para um colega surdo deixa claro que seu sotaque visual não é o mesmo do amigo.

Durante uma transmissão nacional de intérpretes de Libras em eventos é natural que essas diferenças regionais sejam percebidas pela comunidade surda. Mas isso não compromete necessariamente o entendimento da mensagem.  

Como a cultura surda local influencia os sinais usados?

A cultura surda local faz ajustes diretos nos sinais usados em seu cotidiano para refletir a realidade daquela região. O tucupi, por exemplo, é um ingrediente comum na culinária amazônica e o chimarrão é comum na rotina dos moradores do Rio Grande do Sul.

Por isso, é natural que os termos sejam retratados pelas comunidades locais e sejam incomuns em outras comunidades surdas. Não é habitual para um morador de Minas Gerais aprender a sinalização de tucupi ou chimarrão.

O Brasil é um país de grandes dimensões territoriais e isso tem influência direta nos sinais que são usados na Libras pela comunidade surda.

Quais são 10 exemplos de regionalismos?

Existem dezenas de regionalismos que refletem exemplos práticos da diversidade da língua no país, como é a sinalização de aipim, macaxeira, cerveja e outros símbolos, conheça algumas dessas variações:

1.      Cerveja

O sinal de cerveja é diferente entre São Paulo e Minas Gerais. Enquanto os paulistas fazem um giro do punho como uma meia-volta, os mineiros usam os dedos indicadores e o médio batendo ao lado do rosto para sinalizar a bebida.

2.      Telefone

O telefone pode ser retratado pelo sinal mais tradicional que possui uma configuração de mão que representa uma antena e um bocal. Mas também há o sinal mais moderno com a mão reta, representando o touch screen dos smartphones.

3.      Pai

Em Libras o sinal pai é apresentado de diferentes formas dependendo do Estado, em Minas Gerais o foco da sinalização é no bigode.

4.      Solteiro

O termo solteiro possui articulações opostas quando comparada à sinalização no Nordeste e no Sul.

5.      Verde

Para sinalizar verde há diferenças entre o Sul e o Sudeste, podendo usar o dorso da mão no queixo ou até mesmo no olho para sinalizar a mensagem a ser transmitida.

6.      Branco

Existem 3 sinais diferentes para comunicar branco no Brasil. No Sul a sinalização de branco é igual ao sinal de ouro no Nordeste.

7.      Pão

No Sul, o sinal para pão pode lembrar o formato de um pão cacetinho/francês, diferindo do sinal comumente usado em São Paulo.

8.      Chocolate

No chocolate a variação é de movimento da mão, alguns sinalizam com X outros com C. E o local do toque no rosto também pode variar de acordo com a região em que a comunicação ocorre.

9.      Trabalho

Em algumas regiões, o movimento é mais curto e direto, enquanto em outras a configuração da mão é ligeiramente alterada.

10.     Médico

O termo pode ser sinalizado de acordo com o classificador utilizado representando o estetoscópio ou um gesto no pulso, por exemplo. A classificação tem forte influência regional no uso de classificadores.

Por que a inteligência artificial tem dificuldade com regionalismos em Libras?

A inteligência artificial tem dificuldade com regionalismos em Libras por uma combinação de fatores como a falta de um grande banco de dados unificado que sirva para base da tecnologia.

A maior parte das informações disponíveis para a IA sinalizar cobre apenas “sinais padrão” excluindo os regionalismos. Por isso, a tecnologia não consegue identificar claramente quais são as diferenças regionais.

Além disso, Libras é uma língua visual-espacial, ou seja, tem movimento tridimensional e expressões faciais gramaticais ao mesmo tempo em que o rosto e corpo transmitem informações. Essa complexidade torna a modelagem computacional muito mais difícil.

Outro fator extremamente relevante de observar é que a comunidade surda é sub-representada no segmento tecnológico. O que faz com que a tecnologia para surdos não se desenvolva na mesma velocidade que ocorre com as línguas orais majoritárias, como o inglês, por exemplo.

Quais riscos as empresas correm ao ignorar os regionalismos da Libras?

Ignorar regionalismos da Libras é uma falha linguística que impacta negativamente a experiência do cliente e a qualidade da iniciativa de diversidade e inclusão. Entenda mais detalhes sobre os riscos aos quais a empresa se expõe ao cometer esse erro:

1.      Perda de entendimento

Sinais padronizados não correspondem ao uso regional. Por isso, podem ocasionar interpretação equivocada da mensagem e até perda de nuances emocionais da mensagem a ser transmitida.

O cliente pode não compreender ofertas, instruções ou termos legais que são fundamentais para a comunicação. O que gera menor engajamento, queda de conversão e consequentemente desperdício de investimento em mídia inclusiva.

2.      Exclusão involuntária de parte do público surdo

A empresa idealiza um evento que foi pensado para ser inclusivo e faz tudo que acredita ser suficiente. Mas na prática, cria barreiras reais de acesso à informação por ignorar a percepção dos locais sobre a mensagem que está sendo transmitida.

Isso enfraquece a política de acessibilidade da empresa, reduz a confiança do público surdo e compromete a inclusão real. A exclusão acidental também se reflete diretamente nas vendas perdidas. Afinal, o público não entende a mensagem e não se conecta com a marca, o que impede a realização de compras.

3.      Experiência negativa do cliente com a marca

Uma mensagem que é transmitida de forma inacessível pode gerar frustração, constrangimento e sensação de invisibilidade. Por isso, impacta diretamente a satisfação do cliente.

Além disso, é natural que a situação tenha repercussão negativa dentro da comunidade surda. O que impacta diretamente na imagem da marca frente aos clientes surdos.

Por que a interpretação humana é essencial na comunicação em Libras?

Na comunicação em Libras, a interpretação humana é essencial porque a língua de sinais não se limita à tradução direta de palavras. A Língua Brasileira de Sinais envolve contexto social, intenção comunicativa, nuances culturais e expressões visuais simultâneas que só podem ser plenamente compreendidas por quem vive ou domina profundamente essa experiência linguística.

O intérprete humano é capaz de ler o ambiente, perceber o propósito da mensagem, identificar variações regionais, ajustar o nível de formalidade e escolher sinais que façam sentido para aquela comunidade específica.

Esse zelo na transmissão da mensagem é responsável por evitar ruídos que uma conversão automática dificilmente reconheceria. Essa mediação também inclui a sensibilidade para emoções, ironias, conteúdos implícitos e dinâmicas de interação. Que são elementos que transformam informação em comunicação prática.

Além disso, há uma dimensão de empatia que atravessa todo o processo interpretativo. O profissional humano não apenas transmite conteúdo, mas constrói pontes entre culturas linguísticas diferentes, respeitando identidades, histórias e formas próprias de expressão da comunidade surda.

Essa capacidade de adaptação cultural e de resposta ao momento presente revela um limite importante das soluções puramente tecnológicas: enquanto sistemas automatizados operam por padrões, a interpretação humana opera por compreensão do contexto.

É nesse ponto que a presença humana deixa de ser apenas suporte técnico e passa a ser condição para que a comunicação aconteça de maneira genuína, precisa e socialmente significativa.

Como o ICOM lida com os regionalismos em Libras na prática?

Na prática, o ICOM lida com os regionalismos da Libras partindo de um princípio central: a comunicação acessível não pode ser genérica, precisa ser humana, contextual e culturalmente sensível.

Por isso, a solução combina tecnologia ao oferecer a interpretação online com mediação de intérpretes qualificados, criando uma ponte real entre pessoas surdas e ouvintes em diferentes situações de atendimento, trabalho e relacionamento com marcas.

A conexão acontece por videochamada, em tempo real e disponível continuamente, permitindo que o diálogo seja intermediado por profissionais fluentes em Libras, preparados para adaptar a interpretação conforme o contexto e as particularidades de cada comunidade atendida.

Esse modelo evidencia um ponto decisivo: os regionalismos não são tratados como ruído, mas como parte legítima da língua. A presença de intérpretes certificados capazes de compreender diferentes sotaques e variações regionais da Libras garante que a mensagem preserve sentido, intenção e clareza. O que é difícil de alcançar por soluções automáticas ou traduções literais.

Assim, o diferencial do ICOM não está apenas na tecnologia de tradução simultânea, mas na forma como ela é orientada por pessoas, cultura e experiência real de comunicação. A interpretação humana em tempo real, aliada à disponibilidade permanente e à integração com canais físicos e digitais, transforma a acessibilidade.

Conclusão

É fundamental reconhecer os regionalismos em Libras para que qualquer tipo de mensagem possa ser transmitida com respeito à cultura surda e à língua.

Contando com intérpretes qualificados é possível garantir que a mensagem seja transmitida com clareza e eficiência, viabilizando que as informações sejam compreendidas plenamente durante a interação.

Conte com a plataforma ICOM para ter a melhor solução na interpretação em Libras, transmita suas mensagens com eficiência e clareza contando com o auxílio de intérpretes qualificados.

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Especialista em Acessibilidade, ICOM

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