Saber como criar um plano de carreira acessível para pessoas surdas é uma etapa essencial para promover inclusão real no mercado de trabalho e garantir oportunidades de crescimento profissional para um grupo historicamente marginalizado.
No Brasil, esse compromisso está amparado pela Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/2015), que assegura o direito ao trabalho em ambiente acessível e inclusivo para todas as pessoas com deficiência.
Dados oficiais do IBGE destacam que pessoas com deficiência enfrentam barreiras substanciais no acesso à educação, ao trabalho e à renda, o que reforça a importância de estratégias específicas de desenvolvimento de carreira para profissionais surdos.
A taxa de participação na força de trabalho das pessoas sem deficiência foi de 66,4%, enquanto entre as pessoas com deficiência essa taxa era de apenas 29,2%.
Para gestores, profissionais de RH e especialistas em inclusão, este guia oferece uma abordagem prática e informada para construir um plano de carreira que respeite a singularidade cultural e linguística das pessoas surdas, garantindo que cada passo da jornada profissional seja acessível e sustentável.
Como criar um plano de carreira acessível para pessoas surdas?
Criar um plano de carreira acessível para pessoas surdas exige uma abordagem estruturada, contínua e integrada à estratégia de gestão de pessoas da organização.
Mais do que adaptar processos pontuais, trata-se de garantir igualdade de oportunidades, autonomia e desenvolvimento profissional ao longo de toda a jornada do colaborador, mapeando cargos, garantindo comunicação e adotando outras condutas, como:
Mapear cargos e trilhas de crescimento acessíveis
O primeiro passo é analisar os cargos existentes e as possíveis trilhas de crescimento sob a ótica da acessibilidade comunicacional. Isso envolve identificar quais funções já são acessíveis para profissionais surdos e quais precisam de ajustes, seja na forma de comunicação, nas ferramentas utilizadas ou na organização das atividades.
As trilhas de carreira devem ser claras, documentadas e apresentadas de forma acessível, permitindo que a pessoa surda compreenda quais competências são exigidas, quais resultados são esperados e quais passos precisam ser dados para avançar profissionalmente dentro da organização.
Esse mapeamento evita que profissionais surdos fiquem restritos a cargos operacionais e amplie suas perspectivas de progressão, o que é excelente para potencializar o engajamento da equipe com a própria carreira, por existirem oportunidades concretas de crescimento dentro da empresa.
Garantir comunicação acessível em todas as etapas do plano de carreira
A comunicação é o eixo central de um plano de carreira acessível. Todas as etapas desde a integração, passando por feedbacks, avaliações, treinamentos e promoções precisam contar com recursos adequados, como intérpretes de Libras, legendas, materiais visuais claros e linguagem acessível para a perfeita compreensão.
Além disso, é fundamental planejar previamente reuniões e conversas sobre carreira, garantindo que a pessoa surda tenha acesso às mesmas informações que os demais colaboradores, ao mesmo tempo e com a mesma qualidade.
A comunicação acessível fortalece a autonomia, reduz ruídos e permite que decisões de carreira sejam tomadas de forma consciente e informada, viabilizando que todos na empresa tenham oportunidades reais de crescimento, pautadas na equidade.
Estabelecer critérios objetivos de avaliação e promoção
Para que o plano de carreira seja justo e inclusivo, os critérios de avaliação e promoção devem ser objetivos, transparentes e mensuráveis, visando evitar falhas na aplicação.
É importante que esses critérios estejam claramente documentados e disponíveis em formatos acessíveis, evitando avaliações subjetivas baseadas em aspectos comunicacionais que não refletem a competência profissional da pessoa surda.
O foco deve estar em resultados, desempenho, habilidades técnicas e comportamentais, e não na forma de comunicação. Dessa forma, garante-se que profissionais surdos sejam avaliados de maneira equitativa e tenham reais chances de crescimento dentro da organização.
Aspecto que implica diretamente na produtividade do funcionário surdo, que se sente parte real da organização, viabilizando que a pessoa se prepare para construir uma carreira em constante ascensão conforme o plano disponibilizado.
Oferecer capacitação e desenvolvimento profissional acessíveis
O desenvolvimento profissional só é efetivo quando todos conseguem acessar os conteúdos oferecidos. Por isso, cursos, treinamentos, workshops e programas de liderança devem ser planejados com acessibilidade desde a origem, incluindo intérprete de Libras, legendas, materiais visuais, vídeos acessíveis e plataformas compatíveis com diferentes necessidades dos profissionais de sua equipe.
Além disso, é importante incentivar a participação ativa das pessoas surdas em programas de desenvolvimento, assegurando que elas tenham as mesmas oportunidades de qualificação e preparação para cargos de maior responsabilidade.
Contar com a plataforma ICOM para promover acessibilidade para profissionais surdos de sua equipe é um passo estratégico. De modo que, possa ter interpretação em Libras de cursos e treinamentos, além de integração e comunicação eficazes para o colaborador no dia a dia do negócio, viabilizando a participação efetiva do profissional nas dinâmicas internas.
Preparar líderes para gerir planos de carreira acessíveis para pessoas surdas
Nenhum plano de carreira acessível se sustenta sem líderes preparados. Gestores precisam ser sensibilizados e capacitados para compreender a cultura surda, a importância da Libras e os princípios da acessibilidade comunicacional.
Isso inclui aprender a planejar conversas de feedback acessíveis, alinhar expectativas de forma clara e atuar como agentes de inclusão no dia a dia. Líderes bem preparados contribuem para um ambiente mais acolhedor, fortalecem a confiança dos profissionais surdos e garantem que o plano de carreira seja aplicado de forma consistente e respeitosa no cotidiano da empresa, evitando que o planejamento fique no papel.
Qual a importância da Libras no mercado de trabalho?
A Libras tem um papel central no mercado de trabalho porque é o principal meio de comunicação e expressão da identidade linguística e cultural das pessoas surdas no Brasil.
Reconhecida oficialmente pela Lei nº 10.436/2002, a Língua Brasileira de Sinais garante que profissionais surdos possam compreender informações, expressar ideias, participar de decisões e desenvolver plenamente suas competências no ambiente corporativo.
Sem o uso da Libras, a inclusão tende a ser superficial, limitando a autonomia, o desempenho e as oportunidades de crescimento profissional desses trabalhadores.
No contexto organizacional, a Libras é essencial para assegurar comunicação clara em processos-chave como integração de novos colaboradores, treinamentos, avaliações de desempenho, reuniões e planos de carreira.
Quando empresas adotam recursos como intérpretes de Libras, materiais acessíveis e capacitação básica das equipes ouvintes, reduzem ruídos de comunicação, aumentam a produtividade e fortalecem o engajamento dos profissionais surdos.
Além disso, a presença da Libras contribui para ambientes mais colaborativos, nos quais o conhecimento circula de forma equitativa e todos têm condições reais de participar de reuniões, eventos, treinamentos e outros momentos.
Do ponto de vista estratégico, investir em Libras também reforça a responsabilidade social e a conformidade legal das organizações, especialmente em relação às políticas de diversidade, equidade e inclusão.
Mais do que cumprir a legislação, reconhecer a importância da Libras no mercado de trabalho significa valorizar talentos, ampliar a diversidade de perspectivas e construir relações profissionais baseadas no respeito, na acessibilidade e na igualdade de oportunidades.
Quais barreiras dificultam a criação de um plano de carreira acessível para pessoas surdas?
A criação de um plano de carreira acessível para pessoas surdas ainda enfrenta diversas barreiras estruturais, culturais e comunicacionais dentro das organizações brasileiras.
Quando essas barreiras não são identificadas e tratadas, o desenvolvimento profissional dos colaboradores surdos fica comprometido, seja por ausência de materiais acessíveis, dificuldade de comunicação em Libras ou outros fatores. Entenda:
Falta de comunicação em Libras
A ausência da Libras como meio de comunicação institucional é uma das maiores barreiras para o crescimento profissional de pessoas surdas. Sem o uso da língua de sinais, informações estratégicas sobre metas, desempenho, expectativas e oportunidades de crescimento não chegam de forma clara ao colaborador.
Isso limita a autonomia, dificulta a participação ativa e pode gerar interpretações equivocadas sobre desempenho e interesse profissional, impactando diretamente a aplicabilidade do plano de carreira que foi estruturado.
Ausência de materiais acessíveis
Quando políticas internas, trilhas de carreira, planos de desenvolvimento, comunicados e treinamentos não são disponibilizados em formatos acessíveis como vídeos em Libras, materiais visuais claros ou conteúdos legendados, o acesso à informação se torna desigual, gerando ruídos de comunicação na empresa.
A falta desses recursos impede que pessoas surdas compreendam plenamente os critérios de crescimento e os caminhos possíveis dentro da empresa, criando uma barreira invisível, porém decisiva, para a progressão profissional.
Reuniões e avaliações sem intérprete
Reuniões de alinhamento, feedbacks e avaliações de desempenho são momentos críticos na progressão profissional conforme o plano de carreira. Quando esses encontros ocorrem sem intérprete de Libras ou outros recursos de acessibilidade, o profissional surdo fica excluído das discussões e decisões sobre sua própria trajetória.
Isso compromete a transparência do processo, enfraquece a confiança do profissional na empresa e pode levar a avaliações injustas ou mal compreendidas, desencadeando perda de engajamento e diminuição da produtividade.
Critérios subjetivos de promoção
A utilização de critérios subjetivos como “boa comunicação”, “perfil comportamental” ou “postura em reuniões” sem definições claras e objetivas pode prejudicar pessoas surdas e até mesmo colegas ouvintes que não compreendem exatamente o que fazer para demonstrar seu comprometimento e desejo de alcançar a promoção disponível.
Esses critérios, muitas vezes, refletem padrões ouvintes e desconsideram diferentes formas de comunicação e interação. Como resultado, profissionais surdos podem ser injustamente preteridos em promoções, mesmo apresentando desempenho técnico e resultados compatíveis com cargos de maior responsabilidade.
Falta de capacitação da liderança sobre inclusão
Líderes despreparados para lidar com diversidade e acessibilidade representam uma barreira significativa para a própria equipe. A falta de conhecimento sobre cultura surda, Libras e acessibilidade comunicacional pode gerar decisões equivocadas, falhas na condução de feedbacks e ausência de apoio ao desenvolvimento profissional.
Sem capacitação adequada, gestores tendem a reproduzir práticas excludentes, ainda que de forma não intencional, dificultando a consolidação de um plano de carreira acessível e justo. Portanto, é indispensável promover capacitação para que todos tenham reais condições de ascender na empresa.
Quais são os principais programas de inclusão no mercado de trabalho para pessoas com deficiência?
No Brasil, os principais programas de inclusão no mercado de trabalho para pessoas com deficiência são resultado da combinação entre políticas públicas, iniciativas governamentais e ações do setor privado voltadas à promoção da igualdade de oportunidades, da acessibilidade e da empregabilidade.
Esses programas têm como objetivo reduzir barreiras históricas de acesso ao trabalho formal, incentivar a qualificação profissional e garantir condições adequadas de permanência e desenvolvimento na carreira.
Um dos pilares mais relevantes é a Lei de Cotas (Lei nº 8.213/1991), que determina que empresas com 100 ou mais empregados reservem de 2% a 5% de suas vagas para pessoas com deficiência.
Embora não seja um “programa” no sentido tradicional, essa política estruturante impulsionou a criação de ações internas de recrutamento inclusivo, programas de aprendizagem adaptados, planos de carreira acessíveis e investimentos em acessibilidade física e comunicacional nas organizações.
No âmbito governamental, destacam-se iniciativas de qualificação profissional e intermediação de mão de obra, frequentemente articuladas por meio do Sistema Nacional de Emprego (SINE), de programas de educação profissional e tecnológica e de parcerias com instituições do Sistema S (como SENAI e SENAC).
Esses programas buscam preparar pessoas com deficiência para diferentes áreas do mercado, oferecendo cursos adaptados, recursos de acessibilidade e apoio à inserção profissional.
Além disso, organizações da sociedade civil e institutos especializados desempenham um papel fundamental ao oferecer programas de capacitação, mentoria, orientação profissional e apoio à empregabilidade, atuando como ponte entre candidatos com deficiência e empregadores.
De forma integrada, esses programas representam avanços importantes na inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho. No entanto, sua efetividade depende da articulação entre legislação, qualificação, acessibilidade e mudança cultural, garantindo não apenas o acesso ao emprego, mas também condições reais de desenvolvimento, autonomia e crescimento profissional.
Como a tecnologia ajuda a criar um plano de carreira acessível para pessoas surdas?
A tecnologia desempenha um papel fundamental na criação de um plano de carreira acessível para pessoas surdas, pois viabiliza a comunicação, o acesso à informação e o desenvolvimento profissional em igualdade de condições.
Ao integrar soluções tecnológicas aos processos de gestão de pessoas, as empresas conseguem reduzir barreiras comunicacionais, aumentar a autonomia dos profissionais surdos e tornar mais transparentes as etapas de crescimento e progressão na carreira.
Um dos principais avanços está no uso de tecnologias de comunicação acessível, como plataformas de videoconferência com intérprete de Libras, recursos de legendagem automática e ferramentas de transcrição em tempo real.
Esses recursos permitem que profissionais surdos participem ativamente de reuniões, feedbacks, avaliações de desempenho e conversas sobre carreira, garantindo que informações estratégicas não sejam perdidas ao longo do processo. Com isso, decisões relacionadas à evolução profissional tornam-se mais claras e justas.
A tecnologia também facilita a disponibilização de conteúdos acessíveis para capacitação e desenvolvimento. Ambientes virtuais de aprendizagem, vídeos com Libras e legendas, materiais visuais interativos e plataformas compatíveis com diferentes necessidades possibilitam que pessoas surdas tenham acesso contínuo a treinamentos, cursos e trilhas de desenvolvimento profissional.
Isso fortalece a preparação técnica e comportamental para novas funções e cargos, elemento essencial para um plano de carreira sustentável. Por fim, a tecnologia também apoia a capacitação de lideranças e equipes, por meio de treinamentos online sobre inclusão, acessibilidade e cultura surda.
Ao preparar gestores com o apoio de plataformas digitais, as empresas criam um ambiente mais consciente e estruturado para aplicar planos de carreira acessíveis de forma consistente.
Portanto, ao ser utilizada de maneira estratégica, a tecnologia deixa de ser apenas um suporte operacional e se torna um elemento central na construção de planos de carreira acessíveis, promovendo equidade, desenvolvimento profissional e inclusão efetiva de pessoas surdas no mercado de trabalho.
Quais são as formas de facilitar a acessibilidade para surdos?
Facilitar a acessibilidade para pessoas surdas exige uma abordagem ampla, que envolva tecnologia, cultura organizacional, comunicação e gestão. Usando ferramentas assistivas, treinamento de equipe, difundindo o conhecimento de Libras é possível ter excelentes resultados. Entenda mais detalhes:
1. Utilizar ferramentas assistivas
O uso de tecnologias assistivas é essencial para eliminar barreiras de comunicação. Recursos como intérprete de Libras (presencial ou remoto), legendagem em tempo real, softwares de transcrição automática, plataformas de videoconferência acessíveis e aplicativos de apoio à comunicação ampliam a autonomia das pessoas surdas e garantem participação ativa em processos de tomada de decisão.
2. Treinar a equipe
A acessibilidade não depende apenas de ferramentas, mas também de pessoas preparadas para promovê-la. Treinar equipes para se comunicarem de forma clara, objetiva e respeitosa é fundamental para que a inclusão ocorra na prática.
Isso inclui sensibilização sobre cultura surda, boas práticas de comunicação acessível e orientações sobre como trabalhar com intérpretes. Equipes capacitadas reduzem ruídos, fortalecem a colaboração e promovem um ambiente mais inclusivo.
3. Difundir o conhecimento de Libras
Incentivar o aprendizado de Libras entre colaboradores, especialmente líderes e profissionais de RH, é uma ação estratégica. Mesmo conhecimentos básicos já contribuem para melhorar a interação diária, fortalecer vínculos e demonstrar respeito à identidade linguística da pessoa surda. A difusão da Libras também ajuda a reduzir a dependência exclusiva de intérpretes em interações simples do cotidiano.
4. Planejar reuniões e eventos acessíveis
Reuniões, treinamentos e eventos devem ser organizados com antecedência, prevendo intérprete de Libras, boa visibilidade, ritmo adequado de fala e compartilhamento prévio de materiais. O planejamento evita improvisos e garante que a acessibilidade seja efetiva.
5. Estabelecer políticas internas de acessibilidade
Formalizar diretrizes e políticas de acessibilidade ajuda a padronizar práticas e garantir continuidade, independentemente de eventuais mudanças na equipe ou na liderança.
Essas políticas devem contemplar comunicação acessível, uso de tecnologias assistivas, capacitação contínua e acompanhamento dos resultados.
Conclusão
Em síntese, saber como processo de criar um plano de carreira acessível para pessoas surdas é ir muito além de estruturar etapas. Trata-se de um processo que exige planejamento, comprometimento e uma visão integrada que proporciona uma comunicação acessível, tecnologia, capacitação e cultura organizacional inclusiva.
Ao investir em ferramentas assistivas, difundir a Libras, preparar equipes e lideranças e estruturar processos claros, as organizações criam ambientes mais justos e produtivos.
Conte com a plataforma ICOM para promover a inclusão real para colaboradores surdos, garantindo que o plano de carreira acessível para pessoas surdas não fique limitado ao papel.
Especialista em Acessibilidade, ICOM
