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A discussão sobre o fim do portunhol em Libras (Língua Brasileira de Sinais) tem ganhado espaço à medida que empresas e organizações ampliam suas iniciativas de acessibilidade.

Durante muito tempo, muitos conteúdos traduzidos para a Língua Brasileira de Sinais seguiram a estrutura do português, criando versões artificiais da língua de sinais que nem sempre eram plenamente compreendidas pela comunidade surda.

Atualmente, dada a maior conscientização sobre inclusão e qualidade de comunicação, cresce a expectativa por traduções que respeitem a gramática e a natureza visual da Libras. Nesse contexto, vamos esclarecer o que é o portunhol em Libras, por que ele prejudica a comunicação e como isso impacta a imagem das marcas que querem oferecer acessibilidade real.

O que é o portunhol?

É conhecido como “portunhol” a adaptação linguística que visa garantir a comunicação entre aqueles que dominam o português e os que são fluentes em espanhol.

Dado que são línguas desenvolvidas a partir do latim como matriz, existem semelhanças que facilitam o entendimento, mas podem gerar ruídos de comunicação por falhas na tradução.

E esse “portunhol” ocorre não só entre os falantes de português que tentam se comunicar em espanhol sem dominar a língua. Uma vez que todo falante de português que tenta se comunicar fazendo gestos para manter contato com um falante de Libras está fazendo, na prática, um tipo de “portunhol”.

Essa tentativa de “adaptação” do idioma pode gerar confusões simples de resolver ou mais ruídos de comunicação que geram exclusão. Um brasileiro que chega em uma lanchonete no Paraguai e pede um “sorbete” usando o portunhol, receberá um canudo, afinal, sorvete em espanhol é helado.

O mesmo ocorre com uma pessoa que fala português e tenta fazer sinais para se comunicar com alguém que usa Libras como língua materna. A adaptação pode não funcionar, transmitindo uma mensagem equivocada para o outro.

E é por isso que no cenário atual, o mercado começa a estabelecer um novo parâmetro de qualidade para conteúdos acessíveis. Não basta incluir sinais. É necessário garantir que o material esteja realmente em Libras e não em português sinalizado.

Garanta atendimento acessível em sua empresa utilizando a plataforma ICOM para ter intérpretes de Libras dando suporte para seus clientes surdos.

O que significa o fim do portunhol em Libras?

O chamado fim do portunhol em Libras representa uma mudança importante na forma como empresas, instituições e produtores de conteúdo tratam a acessibilidade para pessoas surdas. Em vez de adaptações baseadas no português, cresce a exigência por traduções que respeitem a estrutura linguística da Libras.

Na prática, isso significa abandonar traduções improvisadas ou automatizadas que apenas reproduzem palavras em sinais. O novo padrão passa a priorizar a comunicação natural em Libras, construída a partir da gramática visual e cultural da comunidade surda.

O que contribui justamente para que a comunicação da empresa seja verdadeiramente acessível. Afinal, quando o conteúdo é desenvolvido pensando na lógica do idioma de quem interage com a mensagem, é natural que o entendimento seja beneficiado.

Para as marcas, isso representa uma mudança estratégica. A acessibilidade deixa de ser apenas um item de conformidade e passa a ser parte da experiência de comunicação com diferentes públicos.

Qual é a diferença entre Libras e português sinalizado?

A Língua Brasileira de Sinais é uma língua natural da comunidade surda no Brasil, com gramática própria e organização visual. Já o português sinalizado é uma tentativa de representar a língua portuguesa por meio de sinais, mantendo a estrutura do português.

Embora ambos utilizem sinais manuais, eles pertencem a estruturas linguísticas completamente diferentes. O que deixa claro porque o portunhol em Libras se tornou um problema de comunicação.

A Libras possui estrutura linguística independente do português. A organização das frases, o uso do espaço e os marcadores faciais seguem regras próprias da língua de sinais.

Em Libras, a comunicação envolve múltiplos elementos visuais. Além das mãos, a língua utiliza expressões faciais, orientação corporal e posicionamento no espaço para transmitir significado. Esses recursos fazem parte da gramática e são fundamentais para a clareza da mensagem.

Por esse motivo, uma tradução correta para Libras não pode seguir a mesma ordem das palavras do português. A mensagem precisa ser reorganizada dentro da lógica visual da língua.

O português sinalizado, por outro lado, tenta reproduzir a estrutura do português utilizando sinais. Nesse modelo, cada palavra da frase em português recebe um sinal correspondente.

Embora isso possa parecer intuitivo para quem fala português, o resultado costuma gerar frases pouco naturais para usuários de Libras. A comunicação perde fluidez porque a organização das frases não corresponde à forma como a língua de sinais organiza a informação.

Essa prática é uma das principais origens do que muitos profissionais chamam de portunhol em Libras.

Por que o português sinalizado prejudica a qualidade da tradução em Libras?

Muitos fatores contribuem para que o português sinalizado seja incapaz de oferecer real qualidade de tradução, como a perda de clareza da mensagem, percepção de amadorismo, ruído de comunicação e risco reputacional da utilização desse recurso. Entenda mais sobre qualidade da tradução em Libras a seguir:

Perda de clareza

A clareza é um dos primeiros aspectos afetados quando o conteúdo segue o português sinalizado. A ordem das palavras e a organização das frases do português nem sempre fazem sentido dentro da organização visual da Libras.

Quando a frase não respeita a gramática da língua de sinais, o público surdo pode precisar reinterpretar mentalmente a mensagem para compreender o conteúdo. Esse esforço adicional reduz a eficiência da comunicação e aumenta o risco de interpretações equivocadas.

Ruído de comunicação

O português sinalizado também cria ruído na comunicação. Como os sinais são apresentados seguindo a lógica do português, partes da mensagem podem parecer desconectadas ou incompletas dentro da estrutura natural da Libras.

Esse ruído não significa apenas dificuldade linguística. Em muitos casos, o público percebe que a tradução não foi construída pensando na língua de sinais, o que compromete a experiência de quem depende da Libras para acessar a informação.

Percepção de amadorismo

Em contextos corporativos, a qualidade da tradução em Libras influencia diretamente a imagem da empresa. Conteúdos que utilizam português sinalizado podem transmitir a impressão de que a acessibilidade foi tratada de forma superficial.

Para a comunidade surda, essa diferença é facilmente perceptível. Uma tradução que não respeita a estrutura da Libras pode sugerir falta de investimento em profissionais qualificados ou ausência de cuidado com a comunicação inclusiva.

Risco reputacional

Além das questões linguísticas, existe também um componente reputacional. Empresas que divulgam conteúdos acessíveis, mas utilizam português sinalizado, podem enfrentar críticas relacionadas à qualidade da inclusão.

Hoje, a acessibilidade é cada vez mais associada à responsabilidade social e à reputação corporativa. Quando a tradução em Libras não atende aos padrões esperados pela comunidade surda, o impacto pode ir além da comunicação e atingir a percepção pública da marca.

Como a má interpretação em Libras pode afetar a imagem da sua marca?

A qualidade da tradução para a Língua Brasileira de Sinais influencia diretamente a forma como uma marca é percebida por públicos diversos. Afinal, a inclusão é um ativo da marca que preza por acessibilidade, além disso, a experiência do usuário e confiança gerados pela empresa são diretamente afetados pelo posicionamento da marca. Entenda mais detalhes a seguir:

Inclusão como ativo de marca

Nos últimos anos, a inclusão passou a ser vista como uma estratégia que agrega valor para a marca. Empresas que demonstram compromisso com acessibilidade ampliam seu alcance e fortalecem a conexão com diferentes comunidades.

Quando a tradução em Libras respeita a estrutura da língua e dialoga com a cultura surda, a comunicação transmite autenticidade. Por outro lado, interpretações imprecisas podem gerar a percepção de que a inclusão foi tratada apenas como formalidade.

ESG e acessibilidade

A acessibilidade também se conecta diretamente a práticas de responsabilidade corporativa associadas ao conceito de ESG (Environmental, Social, and Governance). Dentro desse contexto, garantir acesso real à informação para pessoas com deficiência faz parte da dimensão social das organizações.

Uma tradução inadequada em Libras pode enfraquecer esse compromisso. Mesmo quando a intenção é positiva, a falta de qualidade linguística pode indicar que a acessibilidade não foi implementada com profundidade.

Experiência do usuário

Do ponto de vista da experiência do usuário, a interpretação em Libras influencia diretamente a forma como o conteúdo é consumido. Quando a mensagem é clara e natural dentro da língua de sinais, o público surdo consegue acompanhar informações com autonomia.

Se a tradução apresenta inconsistências ou segue a lógica do português sinalizado, a experiência se torna mais difícil. Isso pode gerar frustração e reduzir o engajamento com conteúdos institucionais, educacionais ou publicitários.

Confiança

A confiança é um dos fatores mais sensíveis quando se fala em comunicação inclusiva. Públicos que dependem de acessibilidade tendem a perceber rapidamente quando a linguagem utilizada não corresponde à forma natural de comunicação.

Quando a interpretação em Libras é realizada com qualidade, a marca transmite respeito e reconhecimento da diversidade linguística. Já interpretações imprecisas podem criar distanciamento e afetar a relação de confiança entre a empresa e a comunidade surda.

Robôs fazem Libras de verdade?

Na prática, algumas tecnologias conseguem garantir acessibilidade quando a abordagem do robô é para demandas repetitivas. Se o robô for utilizado para um atendimento personalizado, as chances de falhas aumentam.

O que ocorre é que com o avanço da inteligência artificial e de tecnologias de automação, muitas empresas passaram a utilizar avatares digitais e robôs animados para apresentar conteúdos em língua de sinais.

Esses sistemas prometem ampliar a acessibilidade em larga escala, mas ainda existe um debate importante sobre a qualidade linguística dessas soluções quando aplicadas à Língua Brasileira de Sinais.

O robô costuma usar inteligência artificial para garantir a interação eficaz, mas não são todos os sinais que o personagem consegue realmente expressar de forma natural em Libras. A estrutura espacial e os marcadores faciais da língua são fatores que dificultam a atuação do robô.

A língua de sinais não depende apenas de movimentos das mãos. Ela envolve expressões faciais, intensidade de gestos, ritmo visual e uso do espaço para organizar a informação.

Quando esses elementos não são representados corretamente, a comunicação pode se aproximar de algo semelhante ao português sinalizado. Nesse cenário, o conteúdo deixa de refletir a estrutura natural da língua de sinais utilizada pela comunidade surda.

Por isso, é recomendado usar a tecnologia para interações automáticas, como as saudações iniciais e informações que são repetitivas. Deixando que o intérprete de Libras seja acionado quando há necessidade de garantir uma comunicação individualizada, gerando atendimento de qualidade para a demanda específica do cliente.

O que garante qualidade real na tradução em Libras?

A qualidade da tradução em Libras depende de vários fatores. A língua de sinais é visual e espacial, e o intérprete precisa dominar essa estrutura para transmitir a mensagem corretamente.

Também é necessário interpretar contextualmente a mensagem, para que o intérprete consiga transmitir o significado da mensagem para a comunidade surda. Além disso, o uso de expressões faciais e corporais adequadas são elementos que ajudam a marcar intensidade, negação, pergunta ou emoção na transmissão da mensagem.

Toda empresa que busca qualidade real na transmissão da mensagem deve se preocupar com a certificação dos intérpretes contratados para atender os clientes surdos. De modo que, garanta uma equipe qualificada e experiente que seja capaz de promover a real acessibilidade.

Como identificar se sua empresa ainda utiliza portunhol em Libras?

Muitas empresas acreditam que já oferecem conteúdo em Língua Brasileira de Sinais, mas na prática ainda utilizam estruturas próximas ao português sinalizado. Isso acontece quando a tradução segue a lógica do português em vez da gramática visual da Libras. Entenda sinais que te ajudam a identificar se a comunicação ainda apresenta características associadas ao chamado portunhol em Libras:

Há estrutura visual própria

Um dos primeiros indicadores é a presença de estrutura visual típica da Libras. Em uma tradução natural, a organização da informação utiliza o espaço para indicar personagens, ações e relações entre elementos da frase.

Quando o conteúdo segue exatamente a ordem das palavras do português, sem reorganização visual da mensagem, é provável que a tradução esteja baseada em português sinalizado. A ausência dessa estrutura espacial costuma ser um sinal de que a Libras não está sendo utilizada plenamente.

O intérprete é identificado

Outro fator relevante é a identificação do profissional responsável pela interpretação. Conteúdos acessíveis geralmente apresentam intérpretes de Libras com formação específica ou experiência reconhecida na área.

Quando o material não identifica o intérprete ou utiliza soluções genéricas sem transparência sobre quem realizou a tradução, pode haver maior risco de o conteúdo ter sido produzido sem o rigor linguístico necessário.

Existe naturalidade facial e corporal

A Libras depende de elementos como expressões faciais, postura corporal e direção do olhar fazem parte da gramática da língua de sinais para transmitir o significado da mensagem.

Se o conteúdo apresenta sinais executados apenas com as mãos, sem variação facial ou corporal, a comunicação pode parecer artificial. Esse tipo de apresentação costuma indicar traduções mecânicas ou baseadas em correspondência direta com o português.

A comunidade surda valida

Um dos critérios mais confiáveis para avaliar a qualidade da tradução é a validação pela comunidade surda. Pessoas que utilizam Libras no cotidiano conseguem identificar rapidamente se a comunicação está natural ou se segue padrões do português sinalizado.

Empresas que buscam acessibilidade de qualidade frequentemente contam com consultoria de profissionais surdos ou realizam testes de compreensão com esse público antes de divulgar conteúdos em Libras.

O fim do portunhol em Libras é uma tendência ou uma exigência de mercado?

Nos últimos anos, o debate sobre o portunhol em Libras deixou de ser apenas uma discussão linguística. Ele passou a fazer parte das estratégias de comunicação, acessibilidade e reputação das empresas. À medida que cresce a presença da Língua Brasileira de Sinais em conteúdos institucionais e digitais, aumenta também a cobrança por traduções que respeitem a estrutura real da língua.

Nesse contexto, o abandono do português sinalizado não aparece apenas como tendência. Em muitos setores, ele já começa a ser tratado como um novo padrão esperado de qualidade em acessibilidade.

O avanço da acessibilidade digital ampliou o contato entre marcas e públicos diversos. Sites, vídeos institucionais, eventos online e campanhas publicitárias passaram a incluir Libras com mais frequência.

Com essa expansão, o público surdo também passou a avaliar não apenas a presença da tradução, mas a qualidade da comunicação em língua de sinais. Conteúdos baseados em estruturas do português são rapidamente percebidos, o que aumenta a pressão por traduções mais naturais.

Empresas que investem em diversidade e inclusão também passaram a perceber que a acessibilidade não pode ser apenas simbólica. A comunicação precisa ser construída de forma autêntica para realmente atender diferentes públicos.

Esse movimento reforça algo importante: a língua de sinais é uma língua legítima, com regras próprias. Por isso, traduções baseadas apenas no português passam a ser cada vez mais questionadas. O que demonstra a importância das empresas se adaptarem o quanto antes.

Conclusão

O debate sobre o portunhol em Libras revela uma mudança importante na forma como a acessibilidade é tratada por empresas e instituições. À medida que cresce a presença da Língua Brasileira de Sinais em conteúdos digitais, campanhas e comunicação institucional, também aumenta a atenção à qualidade real da tradução.

Utilizar estruturas baseadas no português sinalizado pode comprometer a clareza da mensagem, gerar ruído de comunicação e afetar a percepção de profissionalismo da marca. Para o público que utiliza Libras no cotidiano, a diferença entre uma tradução literal e uma comunicação construída dentro da lógica da língua é facilmente perceptível.

Nesse cenário, o chamado fim do portunhol em Libras representa mais do que uma mudança técnica. Ele reflete a evolução das expectativas em relação à inclusão, à experiência do usuário e à responsabilidade das marcas na construção de uma comunicação acessível.

Promova um ambiente de trabalho acessível e atendimento qualificado para seus clientes contando com a plataforma ICOM como aliada para transmitir a mensagem de sua marca para o público surdo.

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