O design inclusivo vai além da estética e da funcionalidade básica: ele parte do princípio de que produtos, serviços e experiências devem ser pensados para atender o maior número possível de pessoas, considerando diferentes habilidades, contextos e necessidades do usuário.
Ao adotar o design inclusivo, marcas, profissionais e empresas não apenas promovem acessibilidade e equidade, mas também criam soluções mais eficientes, humanas e sustentáveis.
Por isso, montamos um guia sobre o design inclusivo, esclarecendo o que é, qual a sua importância e como aplicar em seu negócio, visando ter resultados expressivos.
O que é design inclusivo?
Design inclusivo é uma abordagem de criação que busca desenvolver produtos, serviços, ambientes e experiências pensados para o maior número possível de pessoas, respeitando a diversidade humana. Isso inclui diferenças de idade, gênero, cultura, habilidades físicas, sensoriais, cognitivas e contextos sociais.
Ao contrário de soluções feitas para um “usuário padrão”, o design inclusivo parte do entendimento de que as pessoas usam e interagem com o mundo de formas diferentes.
Por isso, ele considera desde pessoas com deficiência permanente até aquelas com limitações temporárias ou situacionais como alguém com um braço imobilizado, usando o celular sob luz intensa. Dessa forma, é possível desenvolver um app, por exemplo, que atenda as pessoas em todos os cenários.
Na prática, o design inclusivo envolve empatia, pesquisa com usuários diversos e decisões conscientes que eliminem barreiras de acesso e uso da solução que está sendo desenvolvida.
O objetivo não é criar soluções especiais para grupos específicos, mas sim projetos mais flexíveis, acessíveis e funcionais para todos.
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Por que o design inclusivo é importante?
O design inclusivo é importante porque garante que produtos, serviços e experiências sejam acessíveis e utilizáveis pelo maior número possível de pessoas, respeitando a diversidade humana ao criar uma solução para o cotidiano de seus clientes.
Ao considerar diferentes habilidades, limitações e contextos de uso, ele reduz barreiras, promove equidade e contribui para uma sociedade mais justa. Além disso, soluções pensadas de forma inclusiva tendem a oferecer uma melhor experiência para todos os usuários, tornando-se mais intuitivas, funcionais e eficientes.
Naiara Peasi, Head of Design no escritório NeoImagine e Indicada ao Latin Design Awards e premiada no Brasil Design Awards aponta que “Um exemplo disso são os vídeos legendados nas redes sociais, que inicialmente era como uma ferramenta para pessoas com problemas auditivos conseguirem consumir aquele conteúdo também, mas hoje, quase todas as pessoas preferem vídeos com legendas, mesmo que não tenham essa necessidade.”
Do ponto de vista estratégico, o design inclusivo amplia o alcance de marcas e negócios, fortalece a reputação institucional e estimula a inovação, ao incentivar a criação de soluções mais flexíveis e centradas nas pessoas.
Qual é a diferença entre design inclusivo, design universal e acessibilidade?
Os conceitos são interligados, quando observamos que o design inclusivo e acessibilidade se correlacionam e derivam do design universal. Todavia, é importante compreender que cada abordagem tem um foco específico e atua em momentos diferentes do processo de criação.
A acessibilidade está ligada à eliminação de barreiras para que pessoas com deficiência possam acessar e utilizar produtos, serviços, ambientes e informações. Ela costuma seguir normas e legislações específicas, como diretrizes de acessibilidade digital e arquitetônica, e muitas vezes é aplicada como um requisito técnico ou uma adaptação necessária para garantir o acesso.
O design universal propõe a criação de soluções que possam ser utilizadas por todas as pessoas, na maior medida possível, sem necessidade de adaptações ou versões alternativas. Seu objetivo é chegar a um modelo único que funcione bem para todos os usuários desde o início, priorizando simplicidade, usabilidade e padronização.
Já o design inclusivo reconhece que não existe uma solução única capaz de atender a todos igualmente. Por isso, ele parte da diversidade humana como ponto central do projeto, buscando oferecer diferentes formas de uso, interação e personalização. Em vez de tentar criar algo “universal”, o design inclusivo foca na flexibilidade e na participação ativa de usuários diversos ao longo do processo de criação.
Em resumo, a acessibilidade garante o acesso, o design universal busca uma solução única para todos os usuários e o design inclusivo valoriza a diversidade, criando experiências adaptáveis, humanas e centradas nas pessoas que buscam a solução.
Quais são os princípios do design inclusivo?
O design inclusivo voltado para produtos digitais é baseado em 7 princípios que foram criados por Henny Swan, Ian Pouncey, Heydon Pickering e Léonie Watson baseados em proporcionar uma experiência equivalente, considerar a situação, ser consistente, dar o controle e outros aspectos relevantes. Entenda mais detalhes sobre os princípios a seguir:
1. Proporcionar uma experiência equivalente
Trata-se de garantir que a interface ofereça uma experiência equivalente para todos possam acessar e utilizar a plataforma para suas tarefas, sem que ocorra qualquer prejuízo ao entendimento do conteúdo disponibilizado.
O princípio entende que as pessoas são diferentes por vários fatores e, por isso, usam diferentes abordagens e ferramentas para ler e usar interfaces. Por isso, todo usuário precisa ter uma experiência equiparada em valor, qualidade e eficiência de uso.
2. Considerar a situação
Consiste em considerar que cada pessoa usa a interface em diferentes situações, por isso, a experiência deve ser equivalente independentemente das circunstâncias de uso.
A experiência de uso de um aplicativo bancário, por exemplo, precisa ser tão prática para um jovem quanto para um idoso. Além disso, é preciso considerar que a pessoa pode estar acessando o app sob pressão ou apenas navegando calmamente pelas opções de empréstimo ou investimento, em ambos os casos a experiência deve ser positiva.
3. Ser consistente
É necessário usar padrões já estabelecidos e aplicá-los de modo consistente. O que reforça a necessidade de que cada processo seja feito de forma padronizada e com propósito. Aspecto que faz toda a diferença para que funcionalidades, comportamentos, apresentações e editoriais possam ser aplicados da mesma forma.
A consistência permite que todos os colaboradores possam fazer os comandos da mesma forma, tornando a inclusão uma realidade aplicada ao cotidiano do negócio, sem falhas nos processos ocasionadas por inconsistências.
4. Dar o controle
Ao idealizar uma plataforma com layout inclusivo é importante possibilitar que as pessoas possam interagir com o conteúdo da forma como preferirem. Ou seja, sem a remoção ou desativação de processos para que o usuário possa ser incluído.
O designer também deve evitar que ocorram alterações no conteúdo de forma automática. O ideal é que o próprio usuário tenha o controle sobre a adaptação do conteúdo.
5. Oferecer escolha
É necessário dar espaço ao usuário para que ele possa concluir as tarefas na plataforma de acordo com o caminho que optam seguir. Uma empresa, que tem um site com design inclusivo, por exemplo, não deve ter um caminho presumido para concluir a compra.
Existem várias formas de interagir com a plataforma e concluir uma tarefa. O designer não deve presumir qual é o caminho preferido de 100% dos usuários. O que revela a necessidade de dar ao usuário o poder de escolha.
6. Priorizar o conteúdo
Ao construir uma página, plataforma ou app com design inclusivo, ajude as pessoas a se concentrarem nas principais funções, recursos e informações que devem ser priorizadas no conteúdo e no layout.
Para isso, é preciso identificar o objetivo principal da interface e destacar o conteúdo e as funções necessárias para que seja mais fácil que o propósito se cumpra a cada interação.
7. Adicionar valor
Todos os recursos pensados pelo viés da estratégia inclusiva devem agregar valor à experiência do usuário. Por isso, é interessante usar todas as funcionalidades possíveis para que se possa desenvolver uma solução completa.
Entendendo a pluralidade das pessoas que acessam a sua solução e quais são os principais motivadores desses acessos é possível desenvolver o design de forma mais eficiente, centrando sua atuação na inclusão.
Durante a jornada de trabalho, Naiara relata que sempre começa entendendo quem são os usuários e quais as barreiras eles podem enfrentar, para que então use linguagem clara e boas práticas de acessibilidade que funcionem bem para diferentes perfis. Além disso, ela conduz testes constantes para que possa garantir o bom funcionamento do produto desenvolvido.
Como o design inclusivo melhora a experiência do usuário?
Segundo Naiara, “o design inclusivo melhora a experiência porque considera as pessoas reais, com diferentes habilidades e contextos. Quando um produto é acessível para mais pessoas, ele se torna automaticamente mais claro, intuitivo e agradável para todo mundo”.
É por isso, inclusive, que algumas soluções como a legendagem de vídeos divulgados nas redes sociais que inicialmente visava atender pessoas surdas e passou a atender a todos. Afinal, em alguns momentos a pessoa está online e navegando nas redes sociais, mas não pode ouvir o som do vídeo no ambiente em que está.
Portanto, é interessante observar que ao pensar em soluções inclusivas toda a sociedade é beneficiada e não apenas um pequeno grupo de pessoas. Aspecto que também impacta a empresa, por viabilizar que alcance mais clientes e tenha excelentes resultados.
Como aplicar o design inclusivo em projetos digitais?
Aplicar o design inclusivo em projetos digitais exige intenção, método e escuta ativa. Não se trata apenas de cumprir requisitos técnicos, mas de criar experiências que realmente funcionem para pessoas diversas, o que requer que alguns passos sejam seguidos, começando com pesquisa com usuários diversos, definição de personas e planejamento e arquitetura das informações. Entenda mais:
Passo 1: faça uma pesquisa com usuários diversos
O primeiro passo é fazer uma pesquisa com usuários diversos, entendendo quem são as pessoas que vão usar o produto ou serviço. É preciso contar com usuários de diferentes idades, níveis de letramento digital, contextos sociais e habilidades físicas, sensoriais e cognitivas. Entrevistas, testes de usabilidade e observação ajudam a identificar barreiras reais que muitas vezes não são percebidas pela equipe.
Passo 2: defina personas inclusivas e cenários reais
Crie personas que representem a diversidade do público, indo além do usuário médio. Considere limitações temporárias (como uso de sua solução com apenas uma mão), situações de uso adversas (ambientes barulhentos ou com pouca luz) e diferentes dispositivos. Isso ajuda a guiar decisões mais empáticas ao longo do projeto.
Passo 3: planeje a arquitetura da informação com clareza
Estruture conteúdos e funcionalidades de forma simples, lógica e previsível. Use hierarquias claras, rótulos objetivos e fluxos intuitivos. Uma boa arquitetura da informação beneficia especialmente pessoas com dificuldades cognitivas ou pouca familiaridade com tecnologia e ao mesmo tempo melhora a experiência para todos.
Passo 4: aplique princípios de acessibilidade desde o início
Incorpore boas práticas de acessibilidade já na fase de design e desenvolvimento, como contraste adequado de cores, textos legíveis, navegação por teclado, uso correto de headings, descrições alternativas para imagens e compatibilidade com leitores de tela. Isso evita retrabalho e amplia o alcance do projeto seguindo os padrões de acessibilidade almejados.
Passo 5: ofereça flexibilidade e personalização
Sempre que possível, permita que o usuário ajuste a experiência conforme suas necessidades, como tamanho de fonte, modo escuro, legendas, velocidade de animações ou diferentes formas de interação. O design inclusivo valoriza escolhas e não impõe um único modo de uso da solução.
Passo 6: use linguagem clara e inclusiva
Prefira utilizar uma comunicação simples, objetiva e livre de jargões técnicos desnecessários. Textos claros facilitam a compreensão para pessoas com diferentes níveis de alfabetização, usuários estrangeiros e pessoas com dificuldades cognitivas. Também é importante evitar termos discriminatórios ou excludentes em seu conteúdo.
Passo 7: considere mobile first e design responsivo
Considere a estratégia de mobile first, em que o design começa pelo mobile e depois escala para telas maiores, garantindo acessibilidade em todos os cenários. Além disso, jamais deixe de investir em soluções com design responsivo, em que o layout se adapta garantindo interação eficaz em diferentes tamanhos de tela, resoluções e dispositivos.
Passo 8: teste continuamente com públicos diversos
Realize os testes de usabilidade com usuários reais e variados ao longo de todo o projeto, não apenas na etapa final. Observe como diferentes pessoas interagem com a interface, onde surgem dúvidas e quais barreiras ainda existem. O feedback é essencial para ajustes eficazes.
Quais são os desafios na implementação do design inclusivo?
A implementação de design inclusivo enfrenta diferentes desafios, como a falta de priorização do tema nas empresas, falta de conhecimento sobre a importância, crença no usuário padrão e pouca diversidade nas equipes. Entenda com mais detalhes sobre como cada desafio impacta diretamente o desenvolvimento de soluções inclusivas:
Falta de conhecimento e conscientização
Muitas equipes ainda não compreendem totalmente o que é design inclusivo ou o confundem apenas com acessibilidade, o que limita sua aplicação prática. Naiara comenta ainda que a falta de consciência e prioridade representa o maior desafio, dada a visão de que o design é um extra e não uma parte importante do todo.
Crença no “usuário padrão”
Projetar para um perfil único e idealizado dificulta a consideração da diversidade real de usuários e leva à exclusão de diferentes necessidades e contextos. O que limita os benefícios que a solução desenvolvida pode proporcionar.
Limitações de tempo e orçamento
A percepção de que o design inclusivo aumenta custos e prazos faz com que ele seja deixado de lado, mesmo quando poderia evitar retrabalho no futuro e até mesmo problemas jurídicos causados pela falta de acessibilidade.
Pouca diversidade nas equipes
Times homogêneos tendem a identificar menos barreiras e necessidades, o que impacta diretamente a qualidade das soluções inclusivas. Por isso, é indispensável que as organizações tenham times diversos e estejam abertas às múltiplas opiniões e abordagens.
Dificuldade em acessar usuários diversos para testes
Encontrar e envolver pessoas com diferentes habilidades, idades e contextos sociais nos testes de usabilidade pode ser um desafio logístico. O que, por muitas vezes, limita o desenvolvimento do projeto até mesmo por causa dos prazos e orçamento.
O design inclusivo é uma exigência legal ou uma escolha estratégica?
O design inclusivo pode ser entendido tanto como uma exigência legal, em alguns contextos, quanto como uma escolha estratégica, dependendo do escopo do projeto e do tipo de produto ou serviço que está sendo desenvolvido.
Do ponto de vista legal, o design inclusivo se conecta diretamente às leis e normas de acessibilidade, especialmente em projetos digitais, educacionais, governamentais e de serviços essenciais.
Nessas situações, garantir o acesso de pessoas com deficiência não é opcional, mas uma obrigação prevista em legislações e diretrizes técnicas. No entanto, a lei normalmente estabelece requisitos mínimos de acessibilidade, e não cobre toda a complexidade do design inclusivo como estratégia de marketing para atrair o público ideal para seu produto.
Já como escolha estratégica, o design inclusivo vai além do cumprimento da legislação vigente. Ele é adotado de forma proativa por empresas e organizações que desejam criar experiências melhores, ampliar seu público, fortalecer a marca e inovar. Ao considerar a diversidade desde o início do projeto, o design inclusivo reduz retrabalho, melhora a usabilidade geral e gera vantagem competitiva.
Outro ponto relevante é a atração e retenção de talentos diversos. Empresas que apostam em soluções inclusivas tendem a ser mais bem vistas por potenciais talentos que buscam novas oportunidades no mercado e almejam fazer parte de equipes diversas.
Em resumo, enquanto a acessibilidade costuma ser uma exigência legal, o design inclusivo é, principalmente, uma decisão estratégica que agrega valor, impacto social e resultados de longo prazo, que facilitam a promoção da acessibilidade exigida em Lei.
Por que investir em design inclusivo é um diferencial competitivo?
Investir em design inclusivo é um diferencial competitivo porque permite que marcas e produtos atendam melhor um público mais amplo, diverso e real, algo que muitas empresas ainda ignoram.
Ao criar soluções pensadas para diferentes habilidades, contextos e formas de uso, a empresa amplia seu alcance, aumenta a base de usuários e reduz a exclusão de potenciais clientes.
Além disso, o design inclusivo melhora a experiência do usuário como um todo. Interfaces mais claras, fluxos intuitivos e comunicação acessível tornam o uso mais simples e eficiente, o que impacta diretamente métricas como satisfação, retenção e conversão. Produtos fáceis de usar tendem a gerar mais confiança e fidelização.
Outro ponto importante é a inovação. Ao considerar necessidades diversas desde o início, equipes são desafiadas a pensar fora do padrão, criando soluções mais criativas, flexíveis e adaptáveis ao mercado. Isso ajuda a antecipar tendências e a responder melhor às mudanças no comportamento dos usuários.
Por fim, investir em design inclusivo fortalece a imagem da marca. Empresas que demonstram compromisso com diversidade, equidade e responsabilidade social constroem reputação positiva, reduzem riscos legais relacionados à acessibilidade e se posicionam como líderes em seus segmentos. Assim, o design inclusivo deixa de ser apenas uma boa prática e se torna uma vantagem competitiva sustentável.
Conclusão
Em um cenário cada vez mais diverso e digital, o design inclusivo se consolida como uma abordagem essencial para criar experiências mais humanas, acessíveis e eficientes. Mais do que atender exigências técnicas ou legais, ele representa uma mudança de mentalidade que coloca as pessoas no centro do processo de criação, reconhecendo suas diferentes necessidades, contextos e formas de interação.
Ao investir na estratégia que preza pela inclusão desde a fundamentação de produtos ou serviços, profissionais e organizações ampliam seu impacto, fortalecem suas marcas e desenvolvem soluções mais inovadoras e sustentáveis. Trata-se de um caminho estratégico que beneficia usuários, negócios e a sociedade como um todo, tornando produtos e serviços mais relevantes, justos e preparados para o futuro.
Aproveite a plataforma ICOM como uma aliada para tornar seu negócio mais inclusivo, garantindo comunicação entre profissionais surdos e ouvintes e promova equipes diversas em sua empresa, para que tenha opiniões distintas e boa capacidade de inovar.
Especialista em Acessibilidade, ICOM