Como promover saúde com inclusão é um tema essencial em uma sociedade marcada por desigualdades sociais, econômicas e culturais. Uma vez que, para promover a real inclusão é preciso reconhecer que cada indivíduo possui necessidades, contextos e limitações diferentes.
Promover saúde não é apenas prevenir doenças. Também significa criar condições para que todas as pessoas tenham acesso ao cuidado, à informação e ao bem-estar. Isso exige profissionais preparados em todas as etapas do cuidado.
Ao adotar uma abordagem centrada nas diferenças das pessoas, a promoção da saúde passa a valorizar a diversidade, reduzir barreiras de acesso e fortalecer a equidade. Entenda a seguir o que significa a inclusão na saúde, qual sua importância e como promovê-la com eficácia. Descubra também os principais passos para aplicar a inclusão na saúde e quais são os benefícios dessa abordagem.
O que significa inclusão na saúde?
Inclusão na saúde significa garantir que todas as pessoas, independentemente de condições físicas, cognitivas, sociais, econômicas, culturais, étnicas ou de gênero, tenham acesso justo, digno e efetivo aos serviços, informações e ações de promoção, prevenção e cuidado em saúde.
Em outras palavras, significa garantir serviços de saúde acessíveis a pessoas com deficiência, mobilidade reduzida, idosos, populações rurais e periféricas, eliminando barreiras que impedem o acesso à saúde.
Além disso, a inclusão demanda que se tenha equidade no cuidado, ou seja, o reconhecimento de que diferentes grupos têm necessidades diferentes e, por isso, podem precisar de estratégias específicas para alcançar o mesmo nível de saúde.
O Brasil é um país marcado por desigualdades, de acordo com dados do Observatório Saúde Pública, a cobertura da estratégia de saúde da família em São Paulo capital é de 39,4%, enquanto em Maceió a cobertura é de apenas 27% da população segundo dados de 2020.
Portanto, há uma expressiva desigualdade de abordagem dos cuidados básicos de saúde quando observamos os indicadores em cada município brasileiro. O que revela a necessidade de intervenções do Poder Público visando promover ações mais eficientes para promoção de maior cobertura da população. Afinal, é fundamental que os brasileiros tenham acesso ao SUS (Sistema Único de Saúde).
A utilização de tecnologias assistivas como recursos e ferramentas que ajudam pessoas com deficiência a se comunicar, se locomover ou acessar serviços e a atuação de intérprete de Libras são medidas importantes para a inclusão na saúde. Conte com a plataforma ICOM para facilitar a comunicação entre agentes de saúde e pacientes surdos.
Por que a inclusão é fundamental para a promoção da saúde?
A inclusão é fundamental para a promoção da saúde porque a saúde não é igual para todos quando as oportunidades não são iguais. Promover saúde de forma inclusiva significa reconhecer desigualdades, reduzir barreiras e garantir que todas as pessoas possam alcançar bem-estar físico, mental e social.
Uma das ações de saúde do SUS, por exemplo, é a distribuição de vacinas gratuitas. Para a promoção da inclusão, a estratégia utilizada é distribuir pontos de atendimento em locais de fácil acesso para que as famílias possam ser vacinadas conforme as diretrizes de saúde vigentes, como ocorre com a distribuição de vacinas anuais da gripe.
Para que esse tipo de ação seja verdadeiramente inclusiva, é preciso que o ponto de vacinação seja livre de barreiras arquitetônicas, que impediriam o acesso de idosos, pessoas com mobilidade reduzida e pessoas com deficiência.
Outro ponto relevante é a estratégia utilizada pelas equipes do SUS visando divulgar a vacinação e garantir que a localização do ponto de aplicação da vacina seja condizente com a fatia da população que busca o atendimento.
Tendo em vista que, em áreas mais nobres das cidades é comum que os moradores façam a vacinação em clínicas particulares. Enquanto nos bairros mais carentes a disponibilidade de um ponto de aplicação da vacina gratuita se faz indispensável.
Portanto, promover a equidade ao reconhecer as diferenças sociais e atuar para reduzir as barreiras são estratégias indispensáveis e já aplicadas pelo Sistema Único de Saúde. De modo que, seja possível evitar a exclusão de grupos específicos e com isso, ocorra um impacto positivo na saúde coletiva.
Uma vez que o acesso a consultas, vacinação e outros cuidados de saúde é fundamental para reduzir problemas de saúde pública. A inclusão fortalece a prevenção, o controle e a sustentabilidade dos sistemas de saúde.
Como promover saúde com inclusão?
Promover saúde com inclusão significa adotar práticas que respeitem as diferenças, reduzam desigualdades e garantam acesso real ao cuidado. Isso exige ações integradas que considerem o acesso equitativo, educação em saúde, respeito a diversidade e capacitação de profissionais, entenda:
Passo 1. Compreenda o público atendido e suas necessidades
O primeiro passo é reconhecer que as pessoas não vivem nas mesmas condições. Avalie indicadores como idade, renda, escolaridade, cultura, limitações físicas ou cognitivas e contexto social. A inclusão começa pelo entendimento da realidade local.
É com base nos indicadores reais que a equipe consegue traçar estratégias para atender os pacientes da melhor forma, promovendo saúde de acordo com a dinâmica na qual está inserida. Afinal, o atendimento em São Paulo capital é diferente do protocolo adotado no interior do Amazonas.
Uma vez que, são diferentes contextos sociais, diferentes demandas e até mesmo algumas doenças que são endêmicas, ou seja, comuns naquela região demandam a personalização das intervenções.
Passo 2. Identifique e reduza as barreiras
Mapeie obstáculos físicos, comunicacionais, financeiros e sociais que dificultam o cuidado em saúde. Isso inclui falta de acessibilidade arquitetônica, linguagem utilizada nos atendimentos excessivamente técnicos, horários restritos e preconceitos estruturais.
Mapeando quais são as barreiras é possível identificar os pontos críticos e adotar medidas de correção graduais. Afinal, é viável corrigir com emergência as barreiras críticas como a falta de acessibilidade arquitetônica.
Ao mesmo tempo, é possível estudar mudanças no horário de atendimento, eventuais impactos e conduzir as melhorias gradualmente para que a acessibilidade seja implementada com eficácia, sempre acompanhando indicadores precisos para mensurar resultados.
Passo 3. Garanta comunicação clara e acessível
Para que a comunicação seja inclusiva, utilize linguagem simples, materiais visuais, recursos digitais inclusivos, Libras, braile e conteúdos adaptados. Informação acessível é essencial para a autonomia e a adesão às práticas de saúde.
Inclusive, a Lei Brasileira de Inclusão (Lei n° 13.146/2015) é clara ao determinar que os serviços de saúde precisam ser acessíveis para todos. Qualquer barreira que gera exclusão é entendida como um descumprimento da legislação nacional.
Em muitos casos, é preciso treinar a equipe de saúde para usar um linguajar que leigos conseguem compreender. Ao evitar termos técnicos conversando com os pacientes as informações se tornam muito mais acessíveis.
Passo 4. Adapte os serviços e ações de saúde
Flexibilize atendimentos, adapte espaços físicos e personalize estratégias conforme as necessidades de cada grupo de pacientes atendidos. A promoção da saúde deve ser centrada na pessoa, não em modelos padronizados de atendimento.
Por isso, em cidades pequenas é comum que o médico visite os pacientes com necessidades específicas de saúde em seu local de moradia, com o intuito de promover um atendimento eficiente e acolhedor.
Esse tipo de adaptação torna o atendimento muito mais humanizado, acolhedor e eficiente, garantindo que as pessoas tenham acesso a cuidados de saúde de qualidade. Conhecendo as necessidades de cada grupo atendido é possível fazer as melhores adaptações para que os atendimentos sejam viabilizados.
Passo 5. Capacite os profissionais para promover cuidado inclusivo
Os profissionais de saúde e a equipe de atendimento precisam de formação contínua sobre diversidade, equidade, ética e humanização. Profissionais preparados promovem acolhimento, respeito e cuidado livre de julgamentos.
Em muitos casos os profissionais não conseguem promover o cuidado inclusivo por falta de equipamentos, conhecimento sobre como adaptar a linguagem e atendimento para cada pessoa que busca os serviços de saúde.
Eliminando vieses inconscientes por meio de treinamentos e capacitação é possível garantir um acolhimento muito mais eficaz, por possibilitar a empatia e respeito ao próximo.
Passo 6. Avalie, ajuste e melhore continuamente
Monitore resultados, identifique falhas e faça ajustes constantes para que seja possível promover real inclusão através do aperfeiçoamento de processos.
Afinal, promover saúde com inclusão é um processo contínuo, não uma ação isolada. O aperfeiçoamento contínuo é indispensável para que todos possam ser atendidos com dignidade, qualidade na prestação de serviços em saúde e tenham a qualidade de vida impactada positivamente.
Quando os atendimentos são verdadeiramente inclusivos os benefícios vão além do aspecto individual, beneficiando a saúde coletiva.
Quais são os desafios para promover saúde com inclusão?
Promover saúde com inclusão é essencial, mas envolve lidar com desafios estruturais, sociais e institucionais que precisam ser reconhecidos para que as estratégias sejam realmente eficazes. O objetivo é reduzir desigualdades sociais, barreiras de acesso, comunicação inadequada e outros desafios, compreenda:
1. Desigualdades sociais
A pobreza, o baixo nível de escolaridade e a insegurança alimentar limitam o acesso aos serviços de saúde e dificultam a adoção de hábitos saudáveis. Mesmo quando há informação disponível as desigualdades prejudicam o acesso, seja por falta de compreensão da mensagem ou por não conseguir colocar as orientações em prática.
2. Barreiras de acesso
Falta de acessibilidade física, transporte inadequado, horários restritos e escassez de serviços em regiões periféricas e rurais afastam grupos vulneráveis do cuidado em saúde, impedindo os cuidados básicos e dificultando até mesmo a busca por ajuda em eventuais emergências.
3. Comunicação inadequada
O uso de linguagem técnica, conteúdos pouco acessíveis e ausência de materiais adaptados excluem pessoas com deficiência, baixa escolaridade ou dificuldades cognitivas. Uma vez que, não conseguem compreender diagnósticos ou quais cuidados precisam ser adotados para promover o bem-estar desejado.
4. Falta de capacitação dos profissionais envolvidos
O uso de linguagem técnica, conteúdos pouco acessíveis e ausência de materiais adaptados excluem pessoas com deficiência, baixa escolaridade ou dificuldades cognitivas. Assim como, a dificuldade de usar linguajar acessível acaba criando uma barreira que impede a conexão do paciente com o profissional de saúde.
5. Limitação de recursos
A escassez de investimentos, equipamentos adequados e tecnologias assistivas dificulta a implementação de práticas inclusivas de forma contínua. Em muitos casos, as medidas de inclusão são adotadas pontualmente, impedindo a continuidade da prestação de serviços de saúde inclusivos.
Quais são os benefícios de promover saúde com inclusão?
Promover saúde com inclusão gera benefícios individuais, coletivos e sociais, como a redução das desigualdades, melhoria do acesso à saúde, promoção da autonomia e outras vantagens que impactam a saúde coletiva. Compreenda em detalhes:
1. Redução de desigualdades
Um dos principais benefícios consiste na redução de desigualdades, garantindo que grupos historicamente vulneráveis tenham acesso ao cuidado, diminuindo diferenças nos indicadores de saúde e promovendo maior equidade.
2. Melhoria do acesso e da adesão aos cuidados de saúde
Quando serviços e informações são acessíveis e respeitam as diferenças, as pessoas compreendem melhor as orientações e aderem com mais facilidade às práticas de promoção e prevenção da saúde.
3. Promoção da autonomia e protagonismo
A saúde inclusiva fortalece a capacidade do indivíduo de tomar decisões conscientes sobre o próprio cuidado, aumentando autoestima, independência e promovendo o autocuidado.
4. Fortalecimento da saúde coletiva
Incluir toda a população nas ações de promoção da saúde reduz a incidência de doenças, evita agravamentos e contribui para sistemas de saúde mais eficientes e sustentáveis.
5. Atendimento humanizado
A inclusão estimula práticas baseadas no respeito, na escuta e na empatia, melhorando a relação entre profissionais e todos os usuários dos serviços de saúde.
Como a tecnologia auxilia na promoção da saúde inclusiva?
A tecnologia auxilia na promoção da saúde inclusiva ao ampliar o acesso aos serviços, à informação e ao cuidado, especialmente para populações que historicamente enfrentam barreiras sociais, geográficas ou físicas.
Por meio de tecnologias assistivas é possível favorecer a comunicação adaptada às diferentes necessidades da população. Uma pessoa surda, por exemplo, pode contar com legendas automáticas, tradução em Libras e interfaces com linguagem simples para entender diagnósticos e interagir com médicos.
Por meio de aplicativos de saúde e de plataformas digitais, é possível levar orientação, acompanhamento e educação em saúde a pessoas que vivem em regiões afastadas, possuem mobilidade reduzida ou enfrentam dificuldades para acessar serviços presenciais, reduzindo desigualdades no cuidado.
A tecnologia também contribui para a personalização das ações de promoção da saúde, possibilitando o acompanhamento individualizado, o monitoramento de hábitos e a adaptação de orientações conforme o contexto social e cultural de cada pessoa.
Esse cuidado mais próximo e centrado no indivíduo favorece a prevenção de doenças e o fortalecimento do autocuidado.
Dessa forma, quando utilizada de maneira ética e acessível, a tecnologia se torna uma aliada estratégica na promoção da saúde inclusiva.
Conclusão
A busca por como promover saúde com inclusão deve ser contínua, visando o aperfeiçoamento na construção de ambientes acessíveis, acolhedores e equitativos.
Promover saúde de forma inclusiva significa respeitar a diversidade humana, reduzir barreiras sociais e garantir que informações, serviços e oportunidades de bem-estar cheguem a todas as pessoas, independentemente de suas condições ou contextos de vida.
Ao integrar educação em saúde, tecnologia, políticas públicas e participação social, torna-se possível fortalecer a autonomia, a dignidade e a qualidade de vida, contribuindo para uma sociedade mais justa, saudável e sustentável.
Conte com a plataforma ICOM para garantir comunicação acessível entre profissionais de saúde e pessoas surdas, usando a interpretação em Libras para que o diagnóstico e conduta médica possam ser explicados detalhadamente por um intérprete qualificado.
Especialista em Acessibilidade, ICOM